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Os 99 batem na porta do 1

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 06/10/2011 12h00, última modificação 07/10/2011 11h59
Os protestos em Wall Street firmam-se como um contraponto popular ao Tea Party

“Primeiro o ignoram, depois o ridicularizam, então o combatem e por fim você vence.” Ainda falta muito para a etapa final, mas a frase de Gandhi descreve bem a reação ao movimento “Ocupemos Wall Street”, ou #Occupywallstreet, tag de divulgação no Twitter do movimento que diz representar 99% dos estadunidenses – todos que não pertencem à oligarquia dos milionários. É uma ousadia de alguns milhares de cidadãos? Sim, do mesmo tipo que levou outros tantos a se declararem representantes do Terceiro Estado e, portanto, da esmagadora maioria dos franceses. De atrevimentos se faz a história.

A ocupação foi inicialmente proposta pela revista e movimento anticonsumista Adbusters, em 13 de julho. Recebeu apoio de alguns outros grupos de ativistas e fez uma primeira reunião de planejamento em 3 de setembro. Mas, quando o protesto de fato começou, em 17 de setembro, com uma marcha de 2 mil manifestantes, o New York Times não se dignou a mencioná-lo nas suas páginas ou site. Impedidos de ocupar a Wall Street propriamente dita, desde então fechada por grades móveis a todos os que não trabalham nela, os manifestantes acamparam no Zucotti -Park, a -duas quadras, cercados por -policiais. Mesmo assim, o grande jornal liberal da metrópole, que cobriu manifestações comparáveis ou menores na África, Ásia ou Europa, ignorou por quase uma semana o protesto a 15 minutos de suas redações, salvo ocasionais menções de -blogueiros no seu portal.

Em 23 de setembro, veio sua primeira reportagem, breve e condescendente, sobre o protesto que, segundo o jornal, estava “desaparecendo”, quando permaneciam cerca de cem pessoas no acampamento. A autora, Ginia Bellafante, destacou a dança topless de uma mulher a tentar atrair a atenção dos passantes com a bandeira da Adbusters e frases fora de contexto de alguns manifestantes – tais como “gostaria de me livrar do motor a combustão” ou “quero criar espetáculos-”. Criticou severamente o suposto “vácuo intelectual” e o “desejo de fazer a mímica do progressismo em vez de praticá-lo conscientemente” e citou, mais articula-damente, um zombeteiro corretor da Bolsa: “Olhe esses garotos com seus computadores Apple. Apple, um dos maiores monopólios do mundo, com ações a 400 dólares. Será que sabem disso?”*

*Leia a íntegra da matéria na edição 667 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 7

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