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Internacional

Conflito

O terror do Estado Islâmico e o temor europeu

por Walter Maierovitch publicado 13/09/2014 04h18, última modificação 13/09/2014 04h18
Os 007 europeus já descobriram que uma razoável quantidade de residentes islâmicos deixam os países europeus para se incorporarem em combates
HO/SITE INTELLIGENCE GROUP/AFP

Os europeus passaram a ter uma nova preocupação e a colocam no mesmo patamar das decorrentes da econômica, desemprego e separatismo. Trata-se do risco de serem vitimas de ataques terroristas.

Os 007 europeus já descobriram, -- e  vazou na imprensa--, que uma razoável quantidade de regulares residentes islâmicos, muitos com passaportes da União Européia ou com vistos de permanência e autorizações de trabalho, deixam temporariamente os países europeus de residência para se incorporarem, consoante os seus vínculos étnicos e religiosos, em combates no Iraque e na Síria.

Só na Itália, saíram 48 e já voltaram pouco mais de 20. Na Inglaterra, não bastasse o risco da Escócia dar adeus ao reino e provocar efeito dominó em Gales e Irlanda do Norte, o premier britânico  assustou-se com a tal saída temporária  de até então desconhecidos  jihadistas.

Não se descarta, na União Européia, as saídas temporárias para se dar força à organização terrorista denominado Estado Islâmico (EI) no Iraque e no Levante (Síria). Também conhecido por Isis (Islamic State in Iraq and Syria), a meta seria implantar, a oeste do Iraque e a leste da Síria ( de Mosul a Aleppo) um califado islâmico-fundamentalista. Sobre essa meta, já se manifestou Abu Mohammad al Adnani, que faz eco ao pregado por Abu Bakr al Baghdadi,  chefão do EI. De orientação wahabita-sunita, o Isis, como milícia jihadista, foi criada em 2004 por insurgentes iraquianos. No mês de janeiro de 2014 declarou a área que ocupa como um califado islâmico em expansão e, logo depois, em fevereiro, a Al Qaeda, cujo sonho do fundador Bin Laden era ser califa, anunciou a saída do Isis da sua rede.

Para as agências européias de inteligência, o problema maior seria a facilidade desses residentes e de extracomunitários ( chegam aos montes da Síria e se acomodam a partr de Milão) em promover atos terroristas, orientados pelos chefes do EI. Diversos relatórios de inteligência de agências européias, quanto ao EI e o califado, apontam as redes sociais como instrumentos potentes para (1) recrutar, (2) radicalizar os ânimos, (3) intimidar os adversários: a difusão das duas decapitações bem demonstram.

Ontem, 11 de setembro e 13º. aniversário dos ataques alqaedistas ao Pentágono e às torres gêmeas de Nova York, o discurso do presidente norte-americano aumentou a preocupação européia.

Obama anunciou bombardeamentos aéreos para combater o EI,  sem envio de soldados e de contar com o apoio de países árabes. Os bombardeamentos ocorreriam no Iraque e na Síria. Quanto à Síria e ao anunciado bombardeamentos, Moscou, uma aliada do ditador sírio saído de uma minoria alawita, chamou a atenção pela falta de autorização do Conselho de Segurança. Outro aliado da Síria, o Irã, também promete reagir contra o discurso de Obama.

Um dos consultados pelo presidente Obama foi Richard Hass, 63 anos e que atuou no passado como consultor do então  Bush pai para questões médio-orientais. Hassa dirige o Concil on Foreign Relation e, para ele, “com ataques do céu se pode fazer muito, mas não tudo”. Em outras palavras, são necessários soldados para combate em terra.

Hass teria apresentado a Obama duas saídas: (1) armar e treinar curdos e tribos sunitas da Síria; (2) fazer um pacto com o ditador sírio Assad e estabelecer que ele governará apenas os alawitas (o território onde estão é bem definido e isto desde o tempo da também sangrenta ditadura do pai de Assad).

O especialista Hass ressalta que os grupos de combatentes  moderados ( assim chamados os não ligados ao EI) poderiam ser treinados pelos americanos. Alguns, alerta, são muito frágeis e outros não totalmente confiáveis. Frisa, ainda, ter sido eficaz o treinamento dado pelos americanos aos curdos e sunitas no combate a Al Qaeda. Por absoluta falta de confiança, afasta-se qualquer possibilidade de ajudar Assad a combater o EI.

Pano rápido. Como a Europa ira apoiar Obama, os europeus temem as represálias e que aconteçam antes mesmo do começo dos  bombardeamentos norte-americanos: o EI ainda não atacou fora do Oriente Médio, não se afina com a Al Qaeda e considera também Ayman al Zawahiri,  sucessor der Bin Laden, um candidato a califa.