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Rebeldes assumem QG de Kaddafi

por Redação Carta Capital — publicado 23/08/2011 08h11, última modificação 23/08/2011 17h28
Segundo a BBC, os rebeldes já assumiram o QG do ditador, mas Kaddafi não foi localizado. Desde o início da terça-feira, rebeldes e forças leais ao líder se enfrentam
Rebeldes invadem QG de Kaddafi

Rebeldes 'queimam' imagem de Kaddafi em protesto meses antes a morte do ditador. Foto: Adem Altan/AFP

Depois de uma luta intensa desde o início da manhã, testemunhas afirmaram que rebeldes assumiram o controle de Bab al-Azizia, complexo do ditador Muammar Kaddafi, segundo informações da rede BBC. Centenas de rebeldes estão no QG neste momento. A TV Al Jazzera relatou fortes explosões no local na manhã dessa terça-feira 23 e era possível enxergar uma densa nuvem de fumaça no local. O ditador, no entanto, ainda não foi localizado.

Os Estados Unidos e grande parte dos países europeus e do norte africano já reconhecem o Conselho Nacional de Transição, grupo das lideranças rebeldes, como governo oficial do país.

Na noite da segunda-feira, o filho do ditador Saif Al-Islam apareceu no hotel onde estão hospedados os jornalistas e negou a sua captura. Saif afirmou que seu pai se encontra na capital e passa bem. Para ele, o exército do ditador desestruturou as forças rebeldes.

Segundo a Al Jazeera, Saif teria sido libertado da prisão domiciliar pelas forças simpatizantes do governo. A rede de televisão árabe ainda aponta que um corpo encontrado em Trípoli pode ser de Khamis, outro filho do ditador, que também teria perdido seu chefe de inteligência, Abdallah Senussi. Além disso, o coronel Khituni, um dos principais militares de Kaddafi, foi preso pelos rebeldes e Abdel-Salam Jalloud, ex-número dois do regime, fugiu para a Itália.

O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Zubeide, deixou o prédio da embaixada na tarde desta terça-feira 22 em um carro particular, assim que o expediente se encerrou. Na saída, ele disse que permanece no cargo nos próximos dias.

Nesta manhã, um grupo de líbios contrários ao líder Muammar Kaddafi ocupou a embaixada e permanece no prédio. Eles disseram que só vão deixar o local depois de confirmada a queda de Muammar Kaddafi. Dentro da embaixada, o clima parece ser tranquilo e, do lado de fora, há um carro da Polícia Militar. A bandeira do Conselho Nacional de Transição está hasteada na embaixada.

Um dos manifestantes informou que os manifestantes aguardam também um posicionamento do governo brasileiro em relação à crise, mas enfatizou que eles não estão negociando com integrantes do governo.

Tribunal Internacional

Em Trípoli, a situação ainda é delicada. A capital líbia está cercada, tendo amanhecido sob fortes embates entre oposicionistas e simpatizantes de Kaddafi, de quem não se sabe o paradeiro. A crise no país começou com manifestações de oposicionistas ao coronel, em fevereiro.

Segundo o diário espanhol El País, os opositores do regime do ditador já controlam entre 85% e 90% da capital. Durante este final de semana, os rebeldes obtiveram uma série de vitórias em cidades estratégicas, como Zauiya, onde se encontra uma das principais refinarias de petróleo do país. Em seguida, tropas rebeldes entraram na capital, principal enclave do ditador desde o início dos conflitos, há seis meses.

A ofensiva sobre a capital começou no sábado e, até agora, ao menos 376 pessoas morreram de ambos os lados e mais de mil ficaram feridas, de acordo com o relato de uma fonte do governo da Líbia ouvida pela Reuters.

Os combates agora estão concentrados em torno da residência do ditador, o complexo de Bab al-Aziziya, que deve ser bombardeado pela Otan ainda nesta segunda-feira 22, segundo o canal Al-Arabiya. No local, de acordo com o porta-voz rebelde Nouri Echtiwi, tanques e camionetes equipadas com metralhadoras atiram aleatoriamente “assim que ouvem disparos”. Há também forte resistência no porto da capital, na costa mediterrânica do país.

Os diários El País e o britânico The Independent, afirmam que  o Tribunal Penal Internacional negocia com os rebeldes a extradição de Saif el Islam, acusado de crimes contra a humanidade. Porém, o Conselho Nacional de Transição diz que a decisão de julgar a família de Kadafi em Haia ou na Líbia será tomada em uma votação.

Em dois discursos transmitidos pelo rádio, o ditador garantiu que continua na capital e exortou a população a defender o regime. Ele também alertou que a entrada dos rebeldes em Trípoli significará um banho de sangue.

De fato, as forças rebeldes podem não contar com um dos fatores até agora decisivos no constante recuo das forças do ditador. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ainda não confirmou se procederá com os bombardeios na área urbana da cidade, devido ao alto risco de baixas civis. Assim, a batalha por Trípoli pode intensificar-se bairro a bairro, sem o suporte aéreo do ocidente.

Transição e reconhecimento

Assim que a notícia da entrada em Trípoli chegou a Benghazi, cidade-símbolo da resistência rebelde e onde ocorreram os primeiros protestos contra Kaddafi, uma multidão tomou as ruas para celebrar. A investida sobre a capital é vista pelo Conselho Nacional de Transição Líbio (CNT), braço político dos rebeldes, como a conclusão da derrocada do governo ditatorial. O próprio CNT já declarou que transferirá sua sede de Benghazi à capital assim que Kaddafi for deposto.

A mesma avaliação é partilhada pelas potências ocidentais. “O regime de Muamar Kaddafi atingiu seu momento de derrocada”, disse o presidente norte-americano, Barack Obama. Ele também afirmou que é hora de Kaddafi reconhecer a derrota e pediu ao CNT que respeite os direitos humanos e as instituições da Líbia. “O regime de Kaddafi mostra sinais de colapso. O povo da Líbia nos mostra que a busca universal por dignidade e liberdade é, de longe, mais forte do que o pulso de ferro de um ditador”, concluiu Obama.

Já o primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que o ditador deve parar de lutar imediatamente e que seu destino será definido pelo povo da Líbia.

A África do Sul, por sua vez, negou que esteja facilitando a saída de Kaddafi do país. Durante a semana surgiram rumores de que Pretória estaria disposta a enviar aviões à Líbia para que o ditador se exilasse. O destino mais provável de Kaddafi seria Angola ou o Zimbábue, diz um correspondente da Al Jazira em Johanesburgo.

O regime de Muammar Kaddafi encontrou apoio nas palavras do líder venezuelano Hugo Chávez, um histórico aliado do governante. Ele disse que o apoio militar europeu e dos Estados Unidos nos combates ajuda a provocar um massacre. Quanto ao discurso dos líderes ocidentais, Chávez disse tratar-se de um “cinismo” que esconde o real interesse pelos recursos naturais do país africano.

*Com informações da Agência Brasil

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