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O erro do milênio

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 08/09/2011 10h00, última modificação 09/09/2011 11h48
Nem Pirro se deu tão mal com uma vitória quanto os EUA. Ao comparar o antes e o depois, seria possível afirmar que a Al-Qaeda venceu

Às vésperas do décimo aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001, a cotação média das ações nas bolsas dos Estados Unidos, segundo o índice S&P 500, é 39% inferior à do seu pico em 2000, descontada a inflação. A taxa de desemprego aumentou de 3,9% para 9,1%, enquanto o preço do barril de petróleo triplicou. No mesmo período, a participação da economia estadunidense no produto mundial caiu de 30,8% para perto de 23,5%, seu endividamento bruto cresceu de 57,6% para 96,8% e o líquido de 34,7% para 69%.

Pela primeira vez, os títulos de dívida de Tio Sam perderam sua classificação AAA. A Nasa, que por 50 anos foi vitrine da liderança tecnológica dos EUA, encerrou seu programa de voos tripulados e passou a depender da agência russa para enviar astronautas ao espaço. O serviço estadunidense de correios, outro tradicional símbolo de excelência, está a ponto de falir.

E por falar em símbolos, constrói-se no local do atentado em Nova York uma Freedom Tower, que terá a mesma altura das Torres Gêmeas (417 metros) e uma antena um pouco mais alta, mas área útil inferior a um terço do velho World Trade Center. Terá 541 metros com a antena (a anterior tinha 526), mas não retomará para os EUA a liderança em arranha-céus. Esta pertence, desde 2010, aos Emirados Árabes Unidos, cuja Burj Khalifa de Dubai tem 830 metros. Em 2017, poderá passar à Arábia Saudita, cuja Kingdom Tower deverá ser construída em Jeddah com mais de mil metros. Pelo Grupo Bin Laden.

“Nós e os mujaheddin sangramos a Rússia por dez anos, até ela falir e ser obrigada a retirar-se, derrotada. Continuaremos essa política de sangrar os EUA até a falência, se Alá quiser”, disse Osama bin Laden em um de seus discursos, divulgado em novembro de 2004 pela Al-Jazira. No início deste ano, ele bem pode ter chegado a se imaginar perto do objetivo e um alienígena ingênuo poderia lhe dar razão.

Seria um exagero, claro. Tanto quanto supor que a luta dos freedom fighters fundamentalistas (apoiados pelos EUA com armas, dólares e propaganda) contra o regime socialista do Afeganistão determinou a queda da União Soviética. Em ambos os casos, o declínio foi na maior parte autoimposto, resultado da incapacidade de responder a desafios políticos, estratégicos e econômicos em várias frentes.

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