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Número de refugiados sírios pode quase dobrar até final de 2014

por Agência Brasil publicado 16/12/2013 19h10
Por causa dos deslocados sírios, total de refugiados em 2013 foi o maior dos últimos 20 anos, quando houve genocídio em Ruanda
STR/AFP
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O número de refugiados da Síria pode quase dobrar até o final do ano que vem, informou nesta segunda-feira 16 o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Dos atuais 2,3 milhões de sírios deslocados para outros países, o total pode chegar a 4,1 milhões até 2014, segundo estimativas do órgão.

Devido ao grande número de deslocados sírios, o total de refugiados em 2013 foi o maior dos últimos 20 anos, quando houve a crise populacional relacionada ao genocídio em Ruanda, na década de 1990.

"Em 2013, mais de 2 milhões de pessoas deixaram seus países por causa de um conflito, é o maior número de novos refugiados em quase 20 anos. Atualmente, 2,3 milhões de refugiados sírios foram registrados na região, entre os quais 1,7 milhão (de pessoas que) chegaram em 2013, mas as estimativas indicam que o número pode ultrapassar os 4,1 milhões no final de 2014", disse o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres.

Para Guterres, a crise de refugiados sírios é a mais perigosa para a paz e a segurança desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ele destacou as consequências desses deslocamentos para a sociedade, a demografia e a economia dos países vizinhos – que são os que mais recebem os refugiados da Síria.

"Eles precisam da solidariedade massiva da comunidade internacional, solidariedade em apoio financeiro, humanitário, estrutural e solidariedade na repartição das consequências", destacou.

Guterres pediu também que todos os países mantenham as suas fronteiras abertas aos refugiados sírios. Ele disse estar decepcionado com a falta de ajuda internacional a essas pessoas. De acordo com o alto comissário, foram oferecidos 15 mil abrigos por meio de programas de reinstalação.

"Precisamos de vistos, programas de reunificação e de reinstalação. Precisamos de mecanismos que permitam às pessoas estar em segurança sem passar pelas mãos de traficantes, que estão entre os piores criminosos no mundo", disse.

De acordo com Guterres, o maior desafio da atualidade é organizar a crise na Síria, a multiplicidade de situações de emergência, como nas Filipinas ou na República Centro-Africana (RCA), além da persistência de outras, como no Sudão ou no Afeganistão.

As Nações Unidas (ONU) pediram nesta segunda 12,9 bilhões de dólares (cerca de 30,1 bilhões de reais) para aplicar em operações humanitárias em 2014. O valor, o mais alto já pedido pela organização, será usado para atender a 52 milhões de pessoas.

O plano inclui a participação de 568 organizações humanitárias e abrange, entre outros, a Síria, a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo, o Sudão, o Sudão do Sul, a Somália, os países do Sahel (faixa de território subsaariano que vai do Leste ao Oeste da África), a Palestina, o Iêmen, o Afeganistão, Birmânia, as Filipinas e o Haiti.

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