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NSA intercepta dados de usuários de Google e Yahoo!, revela jornal

por AFP — publicado 31/10/2013 06h21, última modificação 31/10/2013 06h22
Segundo o The Washington Post, EUA usou programa para recuperar dados das fibras ópticas usadas pelos gigantes da internet
Damien Meyer / AFP
Google

Segundo o The Washington Post, EUA usou programa para recuperar dados das fibras ópticas usadas pelos gigantes da internet

Washington (AFP) - A Agência de Segurança Nacional americana (NSA, na sigla em inglês) interceptou os dados de milhões de usuários do Google e do Yahoo!, incluindo os de vários internautas americanos, informou o jornal The Washington Post, na quarta-feira 30.

Operado em parceria com o correspondente britânico da NSA, o Government Communications Headquarters (GCHQ), o programa "Muscular" permite que ambos os organismos de Inteligência recuperem dados pelas fibras ópticas utilizadas pelos gigantes da Internet - revelam os documentos citados pelo "Post", fornecidos pelo ex-consultor de inteligência Edward Snowden.

Segundo o jornal, que também entrevistou funcionários de Inteligência de alto escalão, o Muscular é um aspecto secreto do programa Prism. Este último permite que a NSA obtenha dados das empresas de tecnologia com a autorização da Justiça.

Um documento de 30 de janeiro de 2013 mencionado pelo jornal mostra que cerca de 181 milhões de elementos haviam sido coletados nos 30 dias anteriores - de metadados de mensagens eletrônicas a elementos de texto e documentos de áudio, ou vídeo.

O material usado pelo "Post" parece sugerir que essas interceptações feitas pela NSA teriam acontecido fora dos Estados Unidos, graças a um fornecedor de acesso às telecomunicações. O nome desse fornecedor não foi revelado.

Um gráfico dá a entender que a interceptação aconteceria entre os próprios "sites" de Internet e os servidores deslocalizados do Google.

Atuar fora dos Estados Unidos daria à NSA mais liberdade do que agir dentro do país, onde é necessária a obtenção de mandados judiciais para levar essas operações adiante.

"Fizemos controles muito estritos para proteger a segurança dos nossos centros de dados e não demos acesso a esses centros, nem à NSA, nem a nenhuma outra agência governamental", reagiu o Yahoo!, em nota à AFP.

O responsável jurídico do Google, David Drummond, garantiu que o grupo não está envolvido nas intercepções e se disse "escandalizado" com seu alcance. "Estamos preocupados há muito tempo com a possibilidade desse tipo de vigilância e, por isso, continuamos colocando códigos em cada vez mais serviços e links do Google, especialmente nos links que se veem no 'slide' (divulgado pelo jornal)", afirmou Drummond.

"Não damos acesso aos nossos sistemas a nenhum governo, incluindo o governo dos Estados Unidos. Estamos escandalizados com o alcance dessas intercepções realizadas pelo governo a partir das nossas próprias redes privadas de fibra (óptica), que mostram a necessidade de uma reforma urgente", acrescentou.

Contactada pela AFP, a NSA não reagiu.

Ao ser questionado sobre a matéria do "Post" durante um evento em Washington, o diretor da NSA, general Keith Alexander, declarou não ter conhecimento do assunto. Ele frisou, porém, que a informação lhe parecia incorreta. "Até onde eu sei, essa atividade nunca aconteceu", afirmou.

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