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Internacional

Espionagem

NSA espionou mais de 60 milhões de ligações na Espanha

por AFP — publicado 28/10/2013 09h20
Segundo um documento apresentado como procedente do ex-analista da NSA Edward Snowden e publicado pelo jornal El Mundo, a agência fez espionagens entre 10 de dezembro de 2012 e 8 de janeiro de 2013
Win Mcnamee / AFP
James Costos

O embaixador dos Estados Unidos na Espanha, James Costos, fala diante do Comitê de Relações Internacionais do Senado americano, em Washington, em 25 de julho de 2013

Agência de Segurança Nacional (NSA) americana espionou 60 milhões de ligações telefônicas na Espanha entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013, afirmou o jornal espanhol El Mundo.

O embaixador dos Estados Unidos, James Costos, foi convocado nesta segunda-feira 28 a comparecer à chancelaria espanhola. Segundo um documento apresentado como procedente do ex-analista da NSA Edward Snowden e publicado pelo jornal, a agência "espionou 60,5 milhões de ligações telefônicas na Espanha, entre 10 de dezembro de 2012 e 8 de janeiro de 2013".

O jornal ainda afirma que a NSA "não registra o conteúdo das chamadas, e sim o número de série dos aparelhos que se comunicam, o local onde estão, o número de telefone dos 'SIM cards' usados e a duração da ligação".

Na semana passada, várias notícias destacaram as atividades de espionagem americanas contra 35 líderes mundiais. Em meio aos escândalos de espionagem, o legislador republicano Mike Rogers assegurou que publicações do jornal francês Le Monde, segundo o qual a NSA teria escutado em um único mês 70 milhões de conversas na França, são "100% falsas". "Se os franceses soubessem exatamente do que se tratou, certamente aplaudiriam e abririam champanhe. É algo bom, que protege os franceses", argumentou Rogers.

Consultado sobre a necessidade de espionar países aliados, o legislador invocou a situação na Europa "nos anos 1930, diante da ascensão do fascismo e do comunismo". "Não vimos o que se aproximava e isto custou a vida de dezenas de milhões de pessoas", afirmou, destacando que naquele momento os Estados Unidos decidiram não espionar países amigos. Ele apontou ainda que os serviços europeus deveriam ser mais bem supervisionados, seguindo o exemplo da NSA nos Estados Unidos.

O presidente da comissão de Inteligência da Câmara de Representantes afirmou que "nas capitais europeias não existe" um enquadramento das atividades de escuta das comunicações tão estrito quanto nos Estados Unidos. "Para mim, este é o problema principal. Na Europa precisam dispor de uma estrutura de supervisão melhor. Ficariam surpresos ao descobrir o que seus serviços de inteligência fazem e o que não fazem", declarou à emissora CNN.

Segundo ele, as revelações da semana passada sobre o alcance dos programas de vigilância da NSA nos países europeus, que deixaram em evidência inclusive a escuta das comunicações por celular da chanceler alemã Angela Merkel, "não foram chocantes para os serviços" europeus, embora tenham sido para os governos para os quais trabalham.

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