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Internacional

Afeganistão

Novo presidente toma posse e coloca fim à crise política no Afeganistão

por Deutsche Welle publicado 29/09/2014 11h07
Após quase três meses de impasses eleitorais, Ashraf Ghani assume cargo, marcando primeira transição de poder democrática do país. Líder promete combater a corrupção e convoca participação dos talibãs
Shah Marai / AFP
Ashraf Ghani

Ashraf Ghani durante a cerimônia de sua posse, nesta segunda-feira 29

Após quase 13 anos como chefe de Estado e governo, Hamid Karzai entregou o cargo a seu sucessor, Ashraf Ghani. O ex-ministro das Finanças e executivo do Banco Mundial tomou posse nesta segunda-feira 29, no palácio presidencial em Cabul.

Karzai foi o único homem a governar o país desde a queda dos talibãs, em 2001, e a posse de Gahni marca, portanto, a primeira transferência de poder entre dois chefes de Estado democraticamente eleitos na história do Afeganistão.

"Hoje, depois de 13 anos à frente do governo, tenho orgulho de transferir o poder para um novo presidente", disse Karzai durante a cerimônia no palácio presidencial.

"Prometo diante de Deus que vou obedecer e apoiar a santa religião do Islã. Vou respeitar a Constituição e as leis e aplicá-las", declarou Ghani ao prestar juramento.

Pouco antes da cerimônia de posse de Ghani, de 65 anos, um atentado suicida abalou a capital afegã. O homem-bomba detonou os seus explosivos num posto de controle próximo ao aeroporto, informou um funcionário das forças de segurança. A polícia afirmou que quatro pessoas morreram e duas ficaram feridas.

Também foram registrados atentados em outras partes do país. Na cidade de Kunduz, no norte do Afeganistão, outro atentado realizado por homem-bomba deixou ao menos dois feridos. Também na província de Paktia, os talibãs explodiram um automóvel num atentado suicida. Não se sabe ainda a quantidade de vítimas.

A transição democrática no Afeganistão coloca, oficialmente, um ponto final em três meses de crise política em torno dos resultados das eleições presidenciais. Ghani está agora à frente do governo de unidade que, além da resistência dos talibãs, deverá enfrentar também diferenças internas.

Nenhum dos candidatos havia conseguido se afirmar num primeiro turno. Mas a segunda rodada de votação foi ainda mais polêmica do que a primeira. Ambos os candidatos – Ghani e o rival Abdullah Abdullah, ex-ministro do Exterior – declararam-se vencedores e acusaram-se mutuamente de haver manipulado as eleições.

Somente depois de duas visitas do secretário de Estado americano, John Kerry, a Cabul, a situação voltou a se acalmar. E os candidatos, então, se dispuseram a negociar. Kerry intermediou um acordo: os votos tiveram de ser completamente recontados.

O resultado foi anunciado no dia 21 de setembro: sem informar o percentual de votos, a comissão eleitoral confirmou a vitória de Ghani nas eleições. Abdullah recebeu, então, o cargo de chefe de governo, uma espécie de primeiro-ministro – posto recém-criado e que permitiu o fim de um impasse político.

Ghani anunciou diante de 1.500 convidados presentes na cerimônia de posse desta segunda-feira o combate à corrupção. "Não iremos tolerar a corrupção em instituições do governo", afirmou o novo presidente. "Nossa mensagem é uma mensagem de paz", acrescentou Ghani. "Conclamamos os talibãs a participarem das conversações políticas."

Ghani disse ainda que irá combater a pobreza e criar postos de trabalho. "Paz sem justiça social não pode ser sustentável. Trabalharemos duro para criar uma paz duradoura."

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) esperava com ansiedade pela transição do poder no Afeganistão. A missão da Otan no país se encerra no fim deste ano. Uma missão menor para apoio e treinamento das forças de segurança afegãs está planejada, mas ela depende da assinatura do novo presidente de um acordo com os EUA e a Otan.

Sem o acordo, que concede aos soldados estrangeiros imunidade de perseguição judicial no Afeganistão, paira a ameaça da retirada de todas as tropas estrangeiras. Ghani prometeu que vai assinar o acordo em breve.

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