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Al Jazira

Novo diretor é ligado a realeza no Qatar

por Redação Carta Capital — publicado 18/10/2011 08h12, última modificação 18/10/2011 09h14
Ahmed bin Jassum al-Thani, membro da familia real, assumiu a direção do canal e aproxima ainda mais rede do governo
Al Jazeera: Alvejada por todos os lados

A invasão de sua sede no Egito e a demissão do diretor-geral somam-se ao emaranhado de críticas que tem recebido. Foto: Símbolo da tevê

A rede de televisão internacional Al-Jazira aproxima-se cada vez mais do governo de seu país-sede Qatar, regido por uma monarquia. Ahmed bin Jassum al-Thani, executivo da Qatargas (estatal produtora de gás)  e membro da familia real, assumiu a direção do canal no final de setembro, substituindo Wadah Khanfar.

O dono da rede é Hamad bin Thamer al-Thani, também membro da realeza. Espalhada por todos os continentes, a Al Jazira é sustentada com o dinheiro do governo qatare, rico devido à produção de petróleo. Nos oito anos que Khanfar foi diretor, a Al Jazira consolidou-se como canal independente dentro do mundo árabe. Mas, mesmo sendo pioneiro em um jornalismo mais imparcial na região e ter como marca a cobertura internacional, a rede tem recebido uma série de críticas por não tocar em assuntos internos do país.

Além disso, o canal fez uma cobertura bastante superficial da revolta no Bahrein  em comparação às reportagens nos países do norte da África, como Egito e Tunísia, onde estabeleceu-se como a principal transmissora dos conflitos e do movimento democrático. A proximidade territorial e política fez com que as revoltas assustassem a monarquia qatare.

Ao mesmo tempo, o ex-diretor Wadah Khanfar já declarou afinidade com a Irmandade Muçulmana, grupo islâmico que teve forte participação na Primavera Árabe. Sua saída, no entanto, relaciona-se com uma revelação do Wikileaks de um documento do Departamento de Estado americano em que Khanfar negocia com Washington.

O temor é que a substituição favoreça uma posição mais favorável à monarquia e, portanto, contraditória em relação à bandeira levantada pela rede desde o início do ano, quando demonstrou ser favorável aos movimentos de democracia nos países árabes. Em carta, o ex-diretor afirma que sua saída já era planejada há algum tempo e que tinha sentido que suas metas na empresa haviam sido cumpridas.

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