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Malala Yousafzai e Kailash Satyarthi dividem o Nobel da Paz

por Deutsche Welle publicado 10/10/2014 09h19
A jovem paquistanesa defende direitos das meninas à educação. O ativista indiano Kailash Satyarthi atuana luta contra o trabalho infantil desde a década de 1980
Peter Muhly / AFP
Malala Yousafzai

Malala Yousafzai em imagem de 17 de setembro, durante evento em Dublin, na Irlanda. Ela se tornou mundialmente famosa ao manter sua luta por direitos mesmo após ser baleada na cabeça por integrantes do Talibã paquistanês

O Comitê norueguês do Nobel anunciou nesta sexta-feira 10 que a paquistanesa Malala Yousafzai é a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2014. A jovem ativista luta pelo acesso à escola de meninas no Paquistão e sobreviveu a uma tentativa de homicídio por parte de talibãs. Malala, de 17 anos, é a mais jovem ganhadora do prêmio até o momento. Desde os 11 anos, ela luta pelos direitos das meninas à educação no Paquistão.

Junto com Malala, o indiano Kailash Satyarthi foi nomeado covencedor do Nobel da Paz. O ativista de direitos humanos, de 60 anos, libertou milhares de crianças do trabalho escravo na Índia. Ele abandonou a profissão de engenheiro elétrico e fundou o movimento Save the Childhood (Salve a Infância) em 1980.

O Comitê do Nobel decidiu homenagear Malala e Satyarthi por sua "luta contra a supressão de crianças e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação". "Crianças devem ir à escola, e não serem exploradas", destacou.

"[O prêmio] é uma honra a todas as crianças que ainda sofrem com a escravidão, trabalho forçado e tráfico humano", disse Satyarthi (na foto abaixo) à emissora de TV CNN-IBN após o anúncio do prêmio.

O prêmio, no valor de cerca de 1,1 milhão de dólares, será entregue em Oslo no dia 10 de dezembro, o aniversário de morte do sueco Alfred Nobel, que fundou a premiação em 1895.

Antes de Malala, o ganhador mais jovem de um Nobel era o cientista de origem australiana Lawrence Bragg, que tinha 25 anos ao dividir o Nobel de Física com seu pai, em 1915.

Em 2013, Malala lançou sua autobiografia, intitulada Eu sou Malala: a menina que os talibãs queriam matar por lutar pelo direito à educação, pela qual foi laureada pelo Parlamento Europeu com o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento.

A autobiografia foi lançada exatamente um ano após ela ter sido atacada e ferida gravemente por talibãs. Em 9 de outubro de 2012, Malala voltava da escola para casa com amigas em sua terra natal, o Vale do Swat, quando radicais islâmicos invadiram o ônibus em que estavam e dispararam um tiro contra a cabeça da adolescente. Após uma operação de emergência, ela foi transportada de avião para a Inglaterra onde, durante os meses seguintes, lutou para sobreviver ao atentado.

Antes disso, em 2009, Malala escreveu um blog para a emissora britânica BBC, usando o pseudônimo Gul Makai, tornando-se, então, muito popular. Nele, Malala descreveu as ações das milícias islamistas no Vale do Swat, contestando o fechamento de escolas para meninas pelos talibãs.

Além da homenagem no Parlamento Europeu e do Nobel da Paz, Malala tem sido celebrada no Ocidente e laureada com numerosos prêmios por seu engajamento incansável. Em 2013, no dia de seu aniversário, 16 de julho, ela falou à Assembleia Jovem da ONU em Nova York, onde foi aplaudida de pé. Ela também recebeu o Prêmio Internacional da Paz da Infância e foi nomeada Embaixadora da Consciência pela ONG Anistia Internacional.

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