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Japão

Murphy atômico

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 16/03/2011 16h39, última modificação 18/03/2011 11h18
O impensável se desencadeia em Fukushima e força o mundo a rediscutir a energia nuclear

O impensável se desencadeia em Fukushima e força o mundo a rediscutir a energia nuclear

Nas primeiras horas da crise de flagrada pelo grande terremoto seguido de tsunami no Japão (às 14h46 locais da sexta-feira 11, 2h46 da madrugada em Brasília), ouviu-se e leu-se muito a frase “se fosse no Brasil...”, comparando o pequeno número de fatalidades então confirmadas da tragédia, primeiro dezenas, depois centenas, com as quase 900 mortes nos deslizamentos da serra fluminense.

Mas a realidade foi severa para com o afobamento de comentaristas e internautas obcecados em buscar em qualquer notícia, boa ou má, o lado que sirva para justificar posições políticas ou preconceitos. Infelizmente, foi ainda mais implacável para com o povo japonês. À medida que jornalistas e equipes de resgate chegavam ao devastado litoral nordeste, ficou evidente que a tragédia era enormemente maior do que se tinha esperado. Várias pequenas cidades e bairros da costa foram varridos pelo tsunami gerado pelo terremoto de epicentro submarino, sem que se tenha notícia da maior parte de seus habitantes. A contagem oficial de mortos está na casa dos milhares, mas os desaparecidos são provavelmente dezenas de milhares e há 500 mil desabrigados, sofrendo os efeitos das nevascas do rigoroso inverno no norte do Japão e da falta de remédios e alimento.

O terremoto de grau 9,0 na escala Richter, o quarto maior desde 1900, quando os sismógrafos começaram a medi-los, foi demais até para o país mais preparado para enfrentá-los em todo o mundo. Tanto por seus grandes recursos econômicos e tecnológicos quanto por sua vasta experiência: o Japão é epicentro de 20% dos terremotos do mundo e sofreu alguns dos mais mortais da história, como o de 1923 em Tóquio, grau 7,9, que matou 142 mil.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 638, já nas bancas.

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