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Egito

Multidão nas ruas comemora renúncia de Mubarak

por Redação Carta Capital — publicado 11/02/2011 10h20, última modificação 12/02/2011 16h57
O vice-presidente egípcio Omar Suleiman anuncia renúncia de Mubarak e também deixa o poder. Um Conselho Militar será responsável pelo processo de transição política. Da Redação

[Atualizada em 12.02.2011 às 7h51]

Durante 18 dias, milhões de egípcios permaneceram nas ruas esperando ouvir a notícia que veio hoje sobre o ditador Hosni Mubarak. No início da noite desta sexta-feira 11, o vice-presidente, Omar Suleiman, fez um pronunciamento anunciando que tanto ele quanto Mubarak renunciavam aos cargos, transferindo o poder no país para uma junta militar. Mubarak deixou o poder que ocupava havia 30 anos.

Assista à festa dos egípcios ao vivo pela BBC: http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-12307698

A estimativa é de que mais de 4 milhões de pessoas aguardavam nas ruas do Cairo para comemorar a queda do ditador. Para os que permaneceram em protesto na Praça Tahrir e em outros pontos da capital, foi uma vitória da persistência e da resistência à violência policial. Os manifestantes também venceram o grupo pró-Mubarak que invadiu a praça na semana passada, provocando um confronto que deixou mais de uma dezena de mortos.

No início da crise, Mubarak tentou esfriar os ânimos populares declarando que não tentaria eleger seu filho nas eleições presidenciais de setembro. Em seguida, dissolveu o gabinete e indicou Suleiman para a vice-presidência. A resposta das ruas foi dura: não era o suficiente. Mubarak precisava cair.

Além da praça Tahrir, centro dos protestos, os manifestantes se espalharam nas áreas próximas ao Parlamento e ao Conselho de Ministros do Egito. A decisão de ampliar os protestos foi uma reação ao aviso de, Omar Suleiman, de que o governo não toleraria mais manifestações.

"O governo não vai tolerar mais qualquer tipo de protesto e temos de acabar com a crise o mais rapidamente possível ", disse o vice-presidente, nomeado principal negociador do governo com a oposição.

Os opositores bloquearam as ruas que dão acesso à Assembleia da República (o Parlamento) e aos prédios onde funcionam os gabinetes da Vice-Presidência da República. Esses locais estão a cerca de 100 metros da Praça Tahrir.

Greves
A pressão sobre o governo Mubarak cresceu quando os trabalhadores do Canal de Suez anunciaram uma greve por tempo indeterminado, confirmando os temores do mundo ocidental de que a instabilidade política prejudicaria os negócios impedindo o tráfego de embarcações.

A televisão estatal confirmou que 15 mil trabalhadores dos setores de infraestrutura, minério, saúde, têxteis, eletricidade e telecomunicações também anunciaram paralisação para exigir reajustes salariais e melhores condições de trabalho, no Cairo e em outras cidades do país.

Com a queda de Mubarak, ainda não se sabe quando as paralisações terão um fim e os serviços voltarão ao normal.

Transição

O marechal Mohamed Hussein Tantawi, 79, que será o responsável pelo processo de transição no Egito, é ex-chefe da guarda presidencial e aliado do ex-presidente Hosni Mubarak. Ele vai comandar a junta militar que assumirá as funções políticas do país até a posse do novo presidente. As eleições no país estão marcadas para setembro e, pela lei, a posse ocorre 60 dias depois.

Nascido em 1931, Tantawi foi promovido a general e nomeado ministro da Defesa em 1991. Ele chegou a ser designado adido militar no Paquistão, participou da primeira Guerra do Golfo e foi comandante da Autoridade de Operações das Forças Armadas.

Durante a crise das últimas semanas, Tantawi tem sido um dos principais contatos do governo egípcio com os Estados Unidos. Ele já foi visto pelos norte-americanos como um homem resistente às reformas política e econômica.

A agência de notícias Lusa, de Portugal, publicou, com base em reportagem de uma emissora de TV árabe, que a junta militar deverá demitir todo o governo ligado a Mubarak, suspender ambas as câmaras do Parlamento e governar com o presidente do Supremo Tribunal Constitucional.

(Com informações da Agência Brasil)

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