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Morre ex-primeiro-ministro israelense Ariel Sharon

por AFP — publicado 11/01/2014 11h39
Ex-premier tinha 85 anos e estava há oito anos em coma em um hospital perto de Tel Aviv
Menahem Kahana / AFP
Israel

Ariel Sharon no dia 16 de dezembro de 2005, em Jerusalém

Jerusalém (AFP) - O ex-primeiro-ministro israelense Ariel Sharon faleceu neste sábado 11, aos 85 anos, em um hospital perto de Tel Aviv. Ele estava há oito anos em coma, informaram sua família e autoridades. "Ele se foi, ele foi quando decidiu ir", declarou seu filho Gilad no hospital Tel Hashomer, onde seu pai era tratado.

Um porta-voz do hospital Tel Hashomer informou que o hospital divulgaria um comunicado às 15h00 locais (11h00 de Brasília).

Sharon estava em coma desde 4 de janeiro de 2006, depois de sofrer um derrame cerebral. Seu estado de saúde registrou uma piora súbita a partir do dia 1 de janeiro, devido a problemas renais graves após uma cirurgia.

"Arik" (diminutivo de Ariel) Sharon entrará para a História como o artífice em 1982 da invasão do Líbano quando era ministro da Defesa, e também como o chefe de governo que retirou as tropas e os colonos da Faixa de Gaza em 2005.

Uma investigação oficial o declarou culpado de não ter previsto nem impedido os massacres cometidos nos campos de refugiados de Sabra e Chatila em setembro de 1982 por uma milícia cristã aliada de Israel.

Sharon precisou renunciar, o que não o impediu de se tornar primeiro-ministro em 2001 nem de ser reeleito em 2003.

Trajetória

Nascido no dia 26 de fevereiro de 1928 na Palestina sob mandato britânico, Sharon foi o braço direito do fundador histórico da direita nacionalista, Menahem Begin, que chegou ao poder em 1977, antes de revolucionar o panorama político israelense.

Como nenhum outro dirigente, este homem com fama de "falcão" colocou sob suspeita o sonho do "Grande Israel" ao ordenar a retirada da Faixa de Gaza, em 2005, após 38 anos de ocupação. Até então ninguém havia se atrevido a tocar na política de colonização para desmantelar assentamentos.

O mais surpreendente foi a decisão ter partido daquele que foi o paladino da colonização. Mas Sharon concluiu que Israel tinha que renunciar a manter todos os territórios conquistados na guerra de 1967 se desejava continuar sendo um "Estado judeu e democrático".

Algumas decisões provocaram o ódio dos palestinos, a irritação da comunidade internacional e muitas críticas em Israel. Mas com a retirada de Gaza recebeu muitos elogios.

Ariel Sharon, um personagem impetuoso e tenaz, com físico imponente e humor mordaz, pouco cuidadoso com o financiamento das campanhas eleitorais, deu as costas em novembro de 2005 ao Likud para criar o partido de centro Kadima, enquanto planejava outras retiradas da Cisjordânia.

"O Buldôzer"

Nascido em uma família procedente de Belarus, Ariel Sharon mostrou durante a longa carreira no exército, iniciada aos 17 anos e onde foi ferido em duas ocasiões, um gosto pelos métodos expeditos.

À frente da unidade 101 dos comandos e depois das unidades de paraquedistas, liderou operações de punição, a mais violenta terminou em 1953 com a morte de quase 60 civis na localidade palestina de Kibia.

Em 1969, Sharon debilitou por muito tempo a resistência palestina em Gaza com operações dos comandos.

Durante a guerra de outubro de 1973, voltou a demonstrar suas capacidades militares ao atravessar o canal de Suez e cercar o exército egípcio com uma manobra ousada.

Em 28 de setembro de 2000, sua visita à Esplanada das Mesquitas em Jerusalém Oriental, terceiro local sagrado islã, provocou indignação. No dia seguinte explodiu a segunda Intifada.

Mas Sharon considerou a situação apenas uma pequena batalha de uma "guerra de 100 anos" contra o sionismo e Israel. Com a promessa de esmagar a revolta palestina, foi eleito de maneira triunfal primeiro-ministro em 6 de fevereiro de 2001 e reeleito em 28 de janeiro de 2003.

Ele queria a separação dos palestinos, mas segundo as condições de Israel. Esta era a missão histórica que pretendia realizar.

Mas, pouco depois de seu derrame, o homem forte de Israel passou a cair no esquecimento, preso a uma cama de hospital e velado pela família. Seu nome era citado de maneira esporádica pela imprensa.

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