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Militares convocam reunião de emergência após 24 mortes em protestos

por AFP — publicado 21/11/2011 19h10, última modificação 21/11/2011 19h10
Tensão cresce desde sábado, quando população saiu às ruas para pedir a transição do poder a um governo civil, a uma semana das eleições legislativas
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O gabinete de Essam Sharaf renunciou nesta segunda-feira. Foto: AFP

O Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), no comando do Egito desde a queda do presidente Hosni Mubarak em 11 de fevereiro deste ano, convocou na noite de segunda-feira 21 as forças políticas para uma reunião de emergência, no terceiro dia de sangrentos confrontos no país.

O CSFA "convoca urgentemente todas as forças políticas e nacionais ao diálogo para examinar as causas que agravaram a atual crise e os meios para se encontrar uma saída e preservar a paz nacional", assinala o comunicado.

A reunião ocorre após o Conselho Supremo das Forças Armadas rejeitar a renúncia do governo do primeiro-ministro Esam Sharaf, reagindo ao anúncio do porta-voz do gabinete, Mohamed Hijazi, sobre a saída do governo devido a "circunstâncias difíceis que o país enfrenta atualmente".

Desde sábado 19, 24 pessoas morreram em confrontos na Praça Tahrir e em outras regiões do Egito. O país está a uma semana do ínicio das eleições legislativas de 28 de novembro, que se estenderão por meses.

Na sexta-feira 18, uma manifestação com ativistas islâmicos e seculares apelou para que os militares transfiram o poder a um governo civil. O ativistas pediram um controle maior sobre a Constituição a ser criada, além da retirada de um documento do governo que propõe princípios supra-constitucionais. O mecanismo permitiria aos militares a manutenção de algum controle sobre questões do país e um orçamento praticamente confidencial.

Os militares dizem que irão transferir o poder somente depois das eleições presidenciais. Os manifestantes os acusam, porém, de querer se perpetuar no poder, mantendo o sistema repressivo do antigo regime.

Clima tenso 

Durante o fim de semana, foram registrados confrontos também em Alexandria e na cidade do canal de Suez. Na Praça Tahir, a polícia e forças militares usaram cassetetes, gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os milhares de manifestantes.

Em resposta do governo aos protestos, o ministro da Cultura, Emad Abu Ghazi, renunciou na segunda e o chefe da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, pediu que todas as forças políticas pressionem pelo processo democrático.

Ele encorajou a luta "pela calma e pelo processo político" para avançar em direção a "mudanças democráticas baseadas nos princípios de liberdade, dignidade e justiça social sobre os quais a revolução de 25 de janeiro foi fundada."

Os primeiros confrontos eclodiram no sábado, um dia após uma multidão se reunir pacificamente contra os militares no Cairo. No domingo 20, a polícia e as tropas dominaram a Praça Tahir em confrontos nas ruas laterais do Ministério do Interior, enquanto manifestantes entoavam: "O povo quer derrubar o marechal em campo", uma referência a Hussein Tantaui, ministro da Defesa de longa data e líder do atual governo militar.

O gabinete do governo garantiu em um comunicado que as eleições parlamentares da próxima semana estão mantidas. "Não vamos concordar com os pedidos para adiar as eleições. As Forças Armadas e o Ministério do Interior são capazes de garantir a segurança dos centros de votação", disse Mohsen al-Fangari, um membro do Conselho, em programa de televisão egípcio.

Muitas figuras políticas proeminentes e intelectuais, incluindo o ex-chefe da Agência Internacional de Energia Nuclear Mohamed ElBaradei tinham pedido o adiamento das votações legislativas.

Eles apresentaram um novo mapa da transição em que uma Assembleia Constituinte eleita elaboraria uma Constituição e uma eleição presidencial seria realizada, seguida de eleições parlamentares.

Enquanto isso, os Estados Unidos manifestaram na segunda-feira "profunda preocupação" com os novos episódios de violência no Egito, pediram "moderação" às partes e afirmaram que esperam uma transição democrática no país.

A tensão política e social refletiu no mercado finaceiro e derrubou a Bolsa de Valores do Egito 4,04% na segunda, com o principal índice EGX-30 caindo 3.860.000 pontos.

Com informações AFP.

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