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Mediterrâneo: de novo um cemitério após naufrágio

por AFP — publicado 12/10/2013 17h04, última modificação 12/10/2013 17h47
Na sexta-feira um novo naufrágio matou dezenas de Imigrantes perto de Malta, apenas oito dias depois de outros 300 perderem a vida próximo à ilha de Lampedusa
MATTHEW MIRABELLI / AFP
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Policial maltês carrega um dos 140 sobreviventes do naufrágio

Valetta (AFP) - O mar Mediterrâneo voltou a se transformar em cemitério após o novo naufrágio na sexta-feira perto de Malta e Lampedusa no qual morreram dezenas de imigrantes, oito dias depois de outros 300 perderem a vida em frente à costa desta ilha do sul da Itália.

Alguns sobreviventes disseram ser sírios e outros palestinos, informaram fontes próximas ao governo maltês.

Na embarcação que afundou na tarde de sexta-feira ao sul de Malta e Lampedusa viajavam cerca de 230 pessoas cujo destino era a pequena ilha italiana situada ao sul da Sicília, segundo a Marinha maltesa.

"O último balanço é de 31 corpos resgatados", afirmou ao meio-dia deste sábado à AFP um porta-voz do governo de Malta. A Marinha italiana indicou, por sua vez, ter resgatado 34 cadáveres.

O primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, lamentou ante os jornalistas na noite de sexta-feira que o "Mediterrâneo esteja se convertendo em um cemitério".

Ainda assim, os membros das equipes de resgate conseguiram salvar cerca de 200 pessoas.

"As operações de resgate, que mobilizam uma embarcação das forças armadas maltesas e um avião que sobrevoa a zona do naufrágio, prosseguiam na tarde deste sábado", declarou a um correspondente da AFP um porta-voz do ministério maltês do Interior.

O corpo de um menino de três anos foi encontrado no início da tarde, disse. "É pouco provável que encontremos alguém vivo a esta hora, por isso concentramos nossos esforços na busca de eventuais corpos", declarou.

Na manhã deste sábado, 143 imigrantes chegaram a Valeta após uma viagem de 10 horas em um barco das forças armadas maltesas desde a zona do naufrágio. Outros 56 sobreviventes, socorridos por um navio de guerra italiano, o "Libra", se dirigiam ao Porto Empledocle, na Sicília.

O capitão do barco que resgatou os refugiados, entrevistado pelo Times deMalta, indicou que fazia "esse trabalho há 10 anos e que esta operação foi a mais complicada de sua carreira" e "mais dramática que todas as do mesmo tipo" das quais participou.

"Havia centenas de pessoas na água, alguns corpos sem vida flutuavam", contou Russel Caruana ao chegar em terra firme.

Ele acrescentou que três refugiados, incluindo uma mãe e seu filho, declarados muito fracos para viajar pelo mar por 10 horas até Valeta, foram transportados de helicóptero a Lampedusa.

O acidente ocorreu nas águas do triângulo formado entre Malta, Líbia e Lampedusa, 110 km ao sul da ilha italiana, segundo um mapa publicado no site da Marinha maltesa.

O barco se desestabilizou e virou quando os imigrantes começaram a se mover, deslocando-se ao mesmo lado da embarcação para chamar a atenção de um avião militar que sobrevoava a zona, informou a mesma fonte.

A Marinha maltesa enviou rapidamente embarcações de resgate e helicópteros e encaminhou ao local do acidente vários navios comerciais, enquanto as autoridades italianas enviaram barcos militares, o "Libra" e o "Respiro", além de helicópteros que lançaram botes infláveis.

O ministro do Interior italiano, Angelino Alfano, declarou que "é preciso lutar contra os mercadores da morte, porque se não agirmos contra eles não poderemos frear este êxodo de imigrantes".

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Antonio Guterres, declarou em um comunicado sua comoção por ver que "sírios, depois de terem escapado das bombas e das balas, podem morrer no mar quando poderiam ter pedido asilo".

O ministro francês de Assuntos Europeus, Thierry Repetin, ressaltou, por sua vez, que a França não podia deixar a Itália sozinha diante deste novo drama no Mediterrâneo.

Esta tragédia ocorre após o naufrágio de um barco de pesca em frente à costa de Lampedusa no dia 3 de outubro. Na embarcação viajavam mais de 500 refugiados, em sua maioria eritreus, e apenas 155 sobreviveram.

Até o momento foram encontrados 359 cadáveres, o que converte este naufrágio na pior tragédia migratória ocorrida na Itália em 10 anos.

Segundo diversas ONGs, quase 20.000 imigrantes e refugiados perderam a vida tentando atravessar o Mediterrâneo nos últimos 20 anos.