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Justiça egípcia ordena prisão de líder da Irmandade Muçulmana

por AFP — publicado 10/07/2013 14h58, última modificação 10/07/2013 14h59
Detenção de Mohammed Badie e outros líderes foi solicitada. Irmandade chama manifestação em massa para esta noite no Cairo
Mahmud Khaled / AFP
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Mohammed Badie. Justiça egípcia ordenou nesta quarta-feira a detenção do Guia Supremo da Irmandade Muçulmana

CAIRO (AFP) - A Justiça egípcia ordenou nesta quarta-feira 10 a detenção do Guia Supremo da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, e de outros líderes da confraria, devido aos confrontos que deixaram mais de 50 mortos na segunda-feira 8, aumentando a tensão que prevalece desde a destituição do presidente islamita Mohamed Mursi.

Ao mesmo tempo, o novo primeiro-ministro, Hazem Beblawi, deu início as consultas para formar um governo de transição, em um clima de desconfiança entre as formações laicas anti-Mursi e de hostilidade dos partidários do ex-chefe de Estado deposto pelo Exército há uma semana.

Uma centena de pessoas foram mortas desde o golpe militar que depôs o chefe de Estado em 3 de julho.

Nesta quarta-feira, o procurador geral egípcio ordenou as prisões sob acusação de incitação à violência nos distúrbios ocorridos em frente à sede da Guarda Republicana do Cairo, durante uma manifestação de partidários do presidente islamita deposto Mohamed Mursi, segundo uma fonte judiciária. Ao todo, duzentas pessoas foram indiciadas nesta quarta por envolvimento nos violentos distúrbios que deixaram 51 mortos e 435 feridos.

A Irmandade Muçulmana, que convocou uma "revolta" após este "massacre" afirmou que soldados e policiais dispararam contra os manifestantes. Já o Exército assegura ter revidado ao ataque de "terroristas armados". Mas a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional e um coletivo de 15 ONGs locais criticaram o uso "desproporcional" da força por parte das autoridades, e exigiram uma investigação independente.

Mursi em um local seguro
Mohamed Mursi, que foi preso logo após a sua destituição, encontra-se "em um local seguro" e até o momento não há acusações contra ele, afirmou nesta quarta-feira 10 um porta-voz do ministério das Relações Exteriores egípcio, Badr Abdelaty.

O novo primeiro-ministro, cuja nomeação terça-feira à tarde foi acompanhada pela do prêmio Nobel Mohamed ElBaradei ao cargo de vice-presidente, tenta formar um governo.

Beblawi, de 76 anos, vice-primeiro-ministro e ex-ministro das Finanças em 2011 durante o período de transição pós-Mubarak, terá a difícil tarefa de conduzir o país à reconciliação e retomar o crescimento econômico. De acordo com o porta-voz da Presidência, al-Beblawi, oferecerá postos em seu governo à Irmandade Muçulmana. A proposta foi prontamente rejeitada pelo movimento, que afirmou que "não faz pacto com golpistas" e rejeita a oferta de integrar o novo governo egípcio".

A Irmandade também denunciou o plano de transição apresentado por Adly Mansour. "Um decreto constitucional apresentado por um homem nomeado por golpistas (...) traz o país de volta ao ponto de partida", comentou um de seus líderes, Essam al-Erian, em seu Facebook.

O plano de transição prevê, sobretudo, a aprovação de uma nova Constituição, após emendas, e a realização de eleições legislativas no início de 2014.

A principal coalizão laica no Egito, a Frente de Salvação Nacional (FSN), que rejeitou na terça-feira 9 o plano de transição apresentado pelo presidente interino, moderou as declarações nesta quarta e anunciou que apresentará as próprias emendas.

Vários países expressaram sua preocupação com a violência que se espalhou pelo Egito, começando pelos Estados Unidos, que, contudo, se disse "cautelosamente otimistas" em relação ao calendário eleitoral proposto pelo governo egípcio interino. O Kuwait anunciou por sua vez que repassou uma ajuda de 4 bilhões de dólares ao Egito, o que eleva a 12 bilhões de dólares a ajuda dada por três países do Golfo às autoridades do Cairo.

Uma manifestação "em massa" no Cairo foi anunciada pela Irmandade Muçulmana para esta noite, primeiro dia do Ramadã. Nesta madrugada, ataques de militantes armados contra uma base da polícia e dois postos de controle fizeram dois mortos na península do Sinai (nordeste).

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