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Justiça argentina condena 15 à prisão perpétua por crimes na ditadura

por AFP — publicado 25/10/2014 09h31
Militares da reserva e civis foram condenados por violações aos direitos humanos cometidas em um centro clandestino de detenção na última ditadura argentina
Miguel Mendez / AFP
Argentina

No banco dos réus, estava mais uma vez o ex-chefe da polícia da província de Buenos Aires, Miguel Etchecolatz

Buenos Aires (AFP) - Quinze militares da reserva e civis foram condenados à prisão perpétua, na sexta-feira 24, por violações dos direitos humanos cometidas em um centro clandestino de detenção na última ditadura argentina (1976-1983).

Cerca de 20 militares e civis foram julgados por um tribunal oral de La Plata (62 km ao sul de Buenos Aires) pela aplicação de tortura e pelo assassinato de 135 pessoas - entre elas, a filha de Estela de Carlotto, líder da organização Avós da Praça de Maio.

No julgamento, foram investigadas as violações dos direitos humanos cometidas no centro clandestino conhecido como "La Cacha". Funcionava na periferia de La Plata. A sala do tribunal ficou lotada durante a audiência.

A "avó" Estela Carlotto estava acompanhada do neto Guido, o qual reencontrou recentemente, após quase quatro décadas de busca. Os dois se abraçaram, enquanto o público aplaudia a leitura da sentença, segundo as imagens transmitidas pela Internet pelo Centro de Informação Judicial.

No banco dos réus, estava mais uma vez o ex-chefe da polícia da província de Buenos Aires Miguel Etchecolatz, que acumulou uma segunda condenação à prisão perpétua. "Condenando Miguel Etchecolatz à pena de prisão perpétua por sua cumplicidade no genocídio cometido na última ditadura militar", leu um dos juízes, que repetiu a mesma sentença para os demais réus.

Além dos militares da reserva, há membros do Serviço Penitenciário e civis, como o ex-funcionário do regime Jaime Smart.

O tribunal sentenciou ainda um marine e outros três civis a penas entre 12 e 13 anos de prisão. Eles também receberão baixa das Forças Armadas.

O corpo da desaparecida militante peronista de esquerda Laura Carlotto, filha de Estela, de 83 anos, e mãe do músico Guido Montoya, de 36, foi entregue à família em 1978, após ser executado pelos membros de La Cacha.

Em seus 37 anos de existência, a organização Avós da Praça de Maio, fundada por Carlotto, conseguiu devolver a identidade de 115 bebês roubados na ditadura (1976-1983). Outros 400 filhos de presos políticos desaparecidos são procurados até hoje.

De rádio a uma sinistra maternidade

La Cacha era uma antiga estação de rádio, que passou a ser usada pelo Comando 101 de Inteligência do Exército, operando como maternidade clandestina. Acredita-se que Laura Carlotto tenha dado à luz Guido nesse local.

Segundo sobreviventes, também passou pelas masmorras de La Cacha o desaparecido Antonio Bettini, pai de Carlos Bettini, atual embaixador argentino na Espanha.

Desde que foram anuladas as Leis de Anistia no país, há dez anos, 547 ex-militares e ex-policiais foram condenados, informou uma fonte da Procuradoria de Crimes contra a Humanidade. Dos ditadores, o único ainda vivo é o ex-general Reynaldo Bignone, de 85 anos, que cumpre seis condenações por graves violações dos direitos humanos.

Cerca de 30 mil pessoas desapareceram na ditadura, afirmam organismos de defesa dos diretos humanos.

Este ano, Carlotto recebeu distinções e reconhecimento internacional por seu trabalho humanitário na organização.

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