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SwissLeaks

Jornal britânico recebeu empréstimo antes do caso HSBC

por Redação — publicado 19/02/2015 19h12, última modificação 19/02/2015 19h20
Após conseguir 250 milhões de libras, Daily Telegraph teria amenizado críticas ao banco envolvido em sonegação na Suíça
PHILIPPE HUGUEN / AFP
HSBC

A filial suíça do banco atraía seus clientes pelo sigilo e pelos baixos impostos oferecidos no paraíso fiscal

Os proprietários do jornal inglês "Daily Telegraph" receberam um empréstimo de 250 milhões de libras do banco HSBC pouco antes dos repórteres da publicação serem “desencorajados” a escrever artigos críticos à empresa. A informação foi revelada nesta quinta-feira 19 pelo jornal "The Guardian". O HSBC é alvo de investigação porque ignorou crimes de clientes e ajudou correntistas a sonegarem impostos em seus países, no caso conhecido como "SwissLeaks".

Segundo o Guardian, o empréstimo foi feito em nome de uma empresa de entregas de encomendas que também pertence aos irmãos David e Frederick Barclay, proprietários do "Daily Telegraph". O negócio teria sido concluído em 14 de dezembro de 2012.

A cobertura do "Daily Telegraph" sobre o escândalo que envolve o banco veio à tona na terça-feira 17, quando o articulista político do jornal Peter Oborne se desligou da publicação. Ele alegou que a pequena cobertura do jornal se tratava de uma "fraude". Para Oborne, a postura do jornal revela que "entrou em colapso" a divisão entre o departamento comercial e o editorial do "Telegraph", o que dá independência a um veículo jornalístico.

Oborne afirmou ainda que a cobertura do Telegraph sobre o banco mudou justamente há aproximadamente dois anos atrás. "Desde o início de 2013 em diante, histórias críticas do HSBC foram desencorajados", disse ele há alguns dias.

Antes da informação ser divulgada, o conservador "Telegraph" havia pedido para fazer uma investigação independente a respeito das denúncias contra o HSBC. A justificativa era que a publicação via uma falta de apresentação de relatórios sobre o caso. The Guardian, a BBC, Le Monde, além de 50 outros meios de comunicação, revelaram no entanto como o braço bancário suíço do banco ajudou clientes ricos esquivar impostos e esconder milhões de dólares em ativos.

As fraudes realizadas pelo banco HSBC, sediado no Reino Unido, devem render muitos problemas para a instituição financeira. Dias após a divulgação de denúncias segundo as quais o banco ignorou crimes de clientes, como tráfico de armas, o Ministério Público da Suíça anunciou a abertura de uma investigação penal contra o HSBC Private Bank por lavagem de dinheiro e uma operação de busca na sede do banco em Genebra.

No Brasil, o "SwissLeaks" foi revelado pelo blog do jornalista Fernando Rodrigues no portal UOL. Segundo o blog, constam na lista 6.606 contas bancárias de 8.667 clientes brasileiros, com um valor movimentado de cerca de 20 bilhões de reais. A lista completa não será divulgada, afirmou o jornalista, pois se trataria "de uma invasão de privacidade indevida no caso de pessoas que podem ter aberto contas no exterior de boa fé, respeitando a lei e pagando impostos". Ainda segundo o blog, informações sobre alguns dos correntistas foram passadas em sigilo para a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda responsável por emitir alertas de fraudes para a Polícia Federal e outras instituições brasileiras. A Receita, afirma o jornalista, "nunca demonstrou interesse em investigar ou analisar os dados", enquanto o Coaf disse não ter visto novos crimes na amostra de cerca de 400 nomes enviados pelo blog ao órgão.

Contrariando sua própria lógica, contudo, Fernando Rodrigues divulgou os nomes de envolvidos na Operação Lava-Jato que têm conta no banco antes que eles sofressem alguma condenação.