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Faixa de Gaza

Israel liberta 550 prisioneiros palestinos em troca do soldado Shalit

por AFP — publicado 19/12/2011 07h59, última modificação 19/12/2011 07h59
A soltura conclui a segunda fase de um acordo que permitiu a libertação, em outubro, do soldado israelense Gilad Shalit, informaram autoridades israelenses e palestinas
soldados palestinos

Familiares aguardam a chegada dos presos palestinos libertados por Israel, em Ofer, perto de Ramallah, Cisjordânia. Foto: AFP

JERUSALÉM (AFP) - Israel soltou, neste domingo, 550 prisioneiros palestinos, concluindo a segunda fase de um acordo que permitiu a libertação, em outubro, do soldado israelense Gilad Shalit, informaram autoridades israelenses e palestinas.

Segundo as fontes e testemunhas na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, o principal contingente de prisioneiros libertados entrou na cidade em um comboio de 12 ônibus por volta das 22h00 locais (18h00 de Brasília), onde milhares de pessoas os aguardavam em frente à sede da presidência palestina.

Ao mesmo tempo, um pequeno grupo de 41 ex-presos atravessava a Faixa de Gaza, administrada pelo movimento islamita Hamas, onde cerca de três mil simpatizantes se reuniram na fronteira para receber os recém-libertos, informou um fotógrafo da AFP no local.

Uma autoridade prisional israelense explicou que outros dois foram levados à fronteira com a vizinha Jordânia e que mais dois foram libertados em Atarot, em Jerusalém oriental.

"O Comitê Internacional da Cruz Vermelha deu assistência no processo do transporte dos prisioneiros", informou o exército israelense em um comunicado.

O documento confirmou que 505 prisioneiros foram levados à Cisjordânia, 41 para a Faixa de Gaza e os outros 4 para a Jordânia e Jerusalém oriental.

Um dos moradores de Jerusalém soltos foi Salah Hamouri, franco-palestino de 26 anos, que deveria ter cumprido sua pena de sete anos em março.

O jovem foi detido em março de 2005 e em 2008, um tribunal militar israelense o condenou por planejar o assassinato do rabino Ovadia Yosef, líder espiritual do partido ultraortodoxo Shass.

Entre os 550 estão ainda seis mulheres e 55 menores com idades entre 14 e 17 anos, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que saudou a libertação dos jovens.

Ao contrário da primeira fase do acordo pela libertação de Shalit, no âmbito da qual foram soltos, em outubro, 477 palestinos, entre os quais alguns que cumpriam pena pelo assassinato de israelenses, a operação deste domingo não contemplou ninguém "com sangue nas mãos", informaram autoridades dos dois lados.

Em Ramallah, uma multidão agitando bandeiras lotou a Muqata, complexo presidencial, e ocupou as ruas vizinhas enquanto as autoridades palestinas recebiam os ex-prisioneiros. O presidente Mahmud Abbas não estava presente, pois está em viagem à Turquia.

A lista com os nomes dos prisioneiros que ganharam a liberdade foi publicada na quara-feira e duas apelações para retardar o acordo, apresentadas por vítimas israelenses de ataques palestinos, foram rejeitadas pela Suprema Corte, a segunda apenas horas antes da libertação.

Os presos que seriam soltos foram selecionados por Israel e nenhum deles pertencem aos movimentos islamitas Hamas e Jihad Islâmica.

Autoridades israelenses haviam informado que foi dada prioridade a membros do movimento Fatah, do presidente Abbas.

Segundo o acordo de intercâmbio acertado com o Hamas, em outubro, Israel concordou em soltar 1.027 prisioneiros palestinos em troca da liberdade do soldado Shalit, mantido em cativeiro pelo Hamas, em Gaza, por mais de cinco anos.

Esta foi a primeira vez em 26 anos que um soldado capturado foi devolvido vivo a Israel.

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