Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Israel intensifica ação para ofensiva terrestre na Faixa de Gaza

Internacional

Oriente Médio

Israel intensifica ação para ofensiva terrestre na Faixa de Gaza

por AFP — publicado 12/07/2014 12h56
Bombardeios israelenses deixaram 127 mortos e 900 feridos até agora, a maioria civis
Thomas Coex / AFP
Crianças palestinas

No campo de refugiados de Nusseirat, região central da Faixa de Gaza, crianças palestinas observam a destruição de uma mesquita provocada por um bombardeio israelense

Por Philippe Agret e Adel Zaanoun

Israel prosseguia com os bombardeios neste sábado 12 à Faixa de Gaza e intensificava os preparativos para um possível ataque terrestre, no quinto dia de uma ofensiva aérea que matou mais de 120 palestinos. Correspondentes da AFP observaram dezenas de tanques israelenses em deslocamento na sexta-feira e neste sábado para a fronteira com Gaza.

No território palestino de 360 quilômetros quadrados as ruas estavam desertas, com exceção dos cortejos fúnebres sob um calor sufocante. Pelo menos 22 palestinos morreram neste sábado nos bombardeios israelenses. Até o momento, a operação "Protective Edge" ("Barreira Protetora") deixou 127 mortos e 900 feridos, a maioria civis.

O exército israelense anunciou que afetou significativamente as capacidades do Hamas, o movimento islamita palestino que controla a Faixa de Gaza, um território com 1,2 milhão de habitantes e com índice de pobreza de 39% da população, segundo o FMI.

A aviação atingiu 158 objetivos vinculados ao Hamas em 24 horas na Faixa de Gaza, incluindo 68 lança-foguetes, 21 bases paramilitares e esconderijos de armas, um deles dissimulado dentro de uma mesquita, segundo um comunicado militar.

O Hamas lançou desde a meia-noite nove foguetes contra Israel e dois foram interceptados pelo sistema de defesa antiaéreo 'Iron Dome'. Desde o início das hostilidades, 530 foguetes atingiram Israel e 138 foram destruídos em pleno voo, o que deixou mais de 10 feridos, mas não provocou vítimas fatais.

O novo conflito é o mais violento desde a operação "Pilar de Defesa" de novembro de 2012. Os ataques dos dois lados na ocasião provocaram as mortes de 177 palestinos e de seis israelenses.

O novo episódio de violência começou após o sequestro e assassinato de três estudantes israelenses no início de junho na Cisjordânia ocupada, crimes que Israel atribuiu ao Hamas. Pouco depois, um jovem palestino foi assassinado em Jerusalém por judeus de extrema-direita.

Em um esforço diplomático para tentar acabar com a violência, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ligou para o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para oferecer a mediação.

Mas em uma entrevista coletiva em Tel Aviv na sexta-feira, Netanyahu disse que Israel resistirá a qualquer interferência internacional. "Nenhuma pressão internacional nos impedirá de atacar, com toda nossa força, as organizações terroristas que proclamam nossa destruição", declarou Netanyahu.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu um cessar-fogo. Mas tanto Netanyahu como o dirigente do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, não parecem dispostos a aceitar uma trégua no momento.

Os preparativos para um possível ataque por terra prosseguiam e mais de 30.000 reservistas foram mobilizados. "Estamos preparando as próximas etapas da operação, para que as forças estejam preparadas para entrar no território", declarou neste sábado o porta-voz do exército israelense, general Almoz Moti.

Dois soldados israelenses ficaram feridos em um ataque com míssil antitanque perto da barreira de segurança que separa Israel da Faixa de Gaza, o que ilustra o risco de uma operação terrestre.

A ofensiva de Israel contra Gaza provocou uma onda de protestos dos países árabes. Os ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe se reunirão na segunda-feira no Cairo para abordar a crise. O emissário do Quarteto para o Oriente Médio (ONU, UE, EUA e Rússia), Tony Blair, chegou neste sábado à capital egípcia para participar nas negociações.

Com a crise em Gaza, 34 associações humanitárias internacionais apelaram por um cessar-fogo e pelo respeito aos direitos humanos no território palestino. A Anistia Internacional pediu à ONU uma investigação internacional independente sobre as violações do direito internacional dos dois lados.

Leia mais em AFP