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Tensão

Israel cogita atacar o Irã

por Redação Carta Capital — publicado 06/11/2011 13h41, última modificação 07/11/2011 11h53
País teme intenções militares do programa nuclear do iraniano, mas Mahmud Ahmadinejad alerta que ação não ficaria sem resposta
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Shimon Peres incita o povo a se manifestar contra utra-ortodoxos. Foto: Andreas Lazarou/AFP

*Atualizado às12h55 de segunda-feira 7

Após rumores de uma possível ação militar israelense contra o Irã, motivada pelo avanço do programa nuclear do país islâmico, o presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou no domingo 6 que um ataque é “cada vez mais verossímil”. "Essa possibilidade parece mais próxima que a opção diplomática."

Em resposta a declaração de Peres, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad acusou nesta segunda-feira 7 os Estados Unidos e Israel de tentarem combater a crescente influência da República Islâmica. "O Irã aumentou suas capacidades e continua progredindo. Agora Israel e o Ocidente, em especial os EUA, temem as capacidades e o papel do Irã", afimou em entrevista ao jornal egípcio Al-Akhbar.

Ahmadinejad advertiu ainda contra qualquer ataque a seu país. "Os arrogantes devem saber que o Irã não permitirá esta agressão."

A tensão entre Israel e Irã aumenta dias antes da publicação de um informe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o programa nuclear de Teerã. O relatório, a ser divulgado na terça-feira 8, deve trazer informações que respaldam as suspeitas sobre o caráter militar do programa nuclear do país islâmico, de acordo com fontes diplomáticas ocidentais citadas pela agência de notícias AFP.

O Irã admite apenas objetivos civis em seus planos e rejeitou as supostas acusações da AIEA sobre seus esforços para desenvolver bombas nucleares e mísseis para transportá-las. "Consideramos que estes documentos são falsos e repetimos que não têm fundamento", disse o chanceler iraniano Ali Akbar Salehi a agência Isna.

A intenção israelense em atacar as instalações nucleares iranianas, hipótese que ganhou força nos últimos dias, levou a Rússia a alertar o país nesta segunda sobre as consequências desta ação. Para os russos, que apoiaram as sanções das Nações Unidas contra o governo de Teerã, uma operação militar seria um "erro muito grave" capaz de provocar mais conflitos e causar vítimas civis. "Não pode existir nenhuma solução militar para o problema nuclear iraniano, como não pode existir para nenhum outro problema do mundo contemporâneo", disse o chanceler Serguei Lavrov.

Interesses próprios

Segundo Peres, há “a impressão de que os iranianos vão se aproximando da bomba atômica". Por isso, o informe da AIEA terá "influência decisiva" no Governo, aponta o jornal israelense Haaretz. "Os serviços de informação de diversos países que vigiam o Irã se inquietam e pressionam seus líderes para que atentem ao fato de que o país está pronto para obter a arma atômica", disse a uma rede de televisão local no domingo.

Durante a semana, Estados Unidos, Reino Unido e França aumentaram a pressão sobre o Irã e o chanceler francês, Alain Juppé, chegou a defender no domingo o endurecimento das sanções internacionais aplicadas ao país. No entanto, reconheceu que um ataque israelense “poderia criar uma situação totalmente desestabilizadora para a região".

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, desmentiu na segunda-feira 31 informações de que já teria acertado com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a ação militar. Porém, acrescentou  que "podem ser criadas situações no Oriente Médio nas quais Israel deverá defender seus interesses vitais de maneira independente, sem se apoiar em outras forças regionais ou outros lugares".

Segundo o jornal Haaretz, a maioria dos 15 membros do gabinete israelense de segurança se opõe, por enquanto, a um ataque. A instância é a única capaz de tomar uma decisão desta gravidade.

Diversas autoridades israelenses destacam que o país não pode lançar a operação sem o apoio e a coordenação prévia dos EUA. "Os Estados Unidos sabem que qualquer ataque do regime sionista contra o Irã produzirá sérios danos não apenas a este regime, mas também aos Estados Unidos", advertiu o chefe do Estado-Maior iraniano, general Hassan Firuzabadi, na quarta-feira 4.

Um importante religioso conservador iraniano, o aiatolá Ahmad Khatami,  alertou nesta segunda-feira os EUA e Israel sobre uma eventual ação militar contra o Irã. "A época da superpotência americana terminou. O Irã é um país poderoso e, ante qualquer conspiração, responderá da mesma forma para que isto sirva de lição aos outros países."

Israel é considerado uma potência nuclear regional, mas nunca confirmou nem desmentiu dispor de armamento atômico. Segundo fontes estrangeiras, teria um arsenal de 200 ogivas nucleares e de vetores adequados para fazer uso delas.

Com informações AFP.

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