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Investimento bilionário amplia presença chinesa no Brasil

por Deutsche Welle publicado 19/05/2015 14h45, última modificação 20/05/2015 14h47
Se este será um bom negócio para o Brasil, vai depender de nuances na negociação
Dilma e primeiro-ministro da China

Dilma recebe o primeiro-ministro da República Popular da China, Li Keqiang

A visita ao Brasil do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, com a intenção de investir cerca de 53 bilhões de dólares no País eleva as relações entre Brasília e Pequim a um novo patamar e pode ampliar a presença dos chineses no país.

Antes centrada na compra de commodities brasileiras e na pequena participação de empresas chinesas na exploração do megacampo de petróleo Libra, no pré-sal, agora os chineses pretendem investir de forma maciça em infraestrutura: ferrovias, portos, aeroportos, rodovias e hidrelétricas.

Ainda não está claro como o investimento "estratosférico", nas palavras de José Alfredo Graça Lima, subsecretário-geral do Itamaraty, será realizado. Mas é provável que seja por meio da compra de participação em negócios nos futuros leilões de concessão de infraestrutura, a serem divulgados pela presidente Dilma Rousseff no início de junho, ou por meio de financiamentos de bancos chineses a obras do tipo.

"O gigantismo comercial da China, que há dois anos se converteu na maior exportadora e importadora do mundo, não se fez acompanhar do papel do país como grande fonte de investimentos estrangeiros diretos", afirma Marcos Troyjo, diretor do BricLab da Universidade de Columbia. Agora o país estaria buscando compensar essa lacuna.

O anúncio de investimentos no Brasil segue na esteira da concretização do plano da China de elevar os investimentos na América Latina para 250 bilhões de dólares na próxima década. A promessa havia sido feita pelo presidente chinês, Xi Jiping, num discurso em janeiro aos chefes de Estado e governo dos países-membros da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac).

Investimento bem vindo

O dinheiro chinês chega num momento em que o Brasil implementa diversos cortes no orçamento e no investimento em infraestrutura. Segundo Márcio Sette Fortes, professor de relações internacionais do Ibmec/RJ e ex-diretor da Câmara de Comércio Brasil-China, esse dinheiro é essencial para contribuir com o reaquecimento da economia.

"O Custo Brasil tem a chance de diminuir com a presença maciça do capital chinês. Isso não melhora a tributação ou diminui a corrupção, mas contribui para reduzir custos logísticos e de infraestrutura precária," afirma.

Li e a presidente Dilma deverão assinar em Brasília cerca de 30 acordos, entre eles diversas parcerias de investimentos e a ampliação do comércio entre os dois países.

Entre um dos projetos possíveis está a construção da ferrovia Transoceânica, que deve ligar o porto de Açu, no Rio de Janeiro, ao porto de Ilo, na costa do Peru. O corredor de trilhos entre os oceanos Atlântico e Pacífico vai abrir uma saída para os produtos brasileiros como grãos e carnes para o Pacífico, sem que a carga precise passar pelo Canal do Panamá. O objetivo é tornar as mercadorias mais competitivas e com um menor custo também para a China.

A proposta gera polêmica por conta do elevado custo da construção, que passará pela Cordilheira dos Andes, e pelo impacto ambiental, já que a linha férrea teria que passar pela região amazônica brasileira e peruana. Segundo Graça Lima, a ferrovia deverá ficar pronta entre três e quatro anos. O custo ainda não foi calculado, mas há estimativas de que a ligação de cerca de 5,3 mil quilômetros chegue a custar cerca de 10 bilhões de dólares.

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