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Incerteza e nervosismo no fim da campanha eleitoral no Uruguai

por AFP — publicado 24/10/2014 12h08
A três dias das eleições no Uruguai, as pesquisas apontam que a esquerda não conseguirá a maioria parlamentar que permitiu a ela governar o país por dez anos
Miguel Rojo / AFP
Tabaré Vázquez e Luis Lacalle Pou

Os principais candidatos à eleição do Uruguai: o ex-presidente Tabaré Vázquez e Luis Lacalle Pou

A três dias das eleições no Uruguai, as pesquisas apontam que o governista e favorito Tabaré Vázquez não conseguirá a maioria parlamentar que permitiu à esquerda governar por dez anos, correndo inclusive o risco de perder para Luis Lacalle Pou em um segundo turno.

Os candidatos a suceder o popular José Mujica, que não é permitido pela Constituição a se candidatar a uma reeleição, queimavam nesta quinta-feira os últimos cartuchos em seus atos de encerramento de campanha.

Em seu último discurso de campanha, na noite desta quinta-feira, Vázquez pediu ao povVo que tenha fé e animou a multidão lembrando as bandeiras históricas da Frente Ampla, como a redistribuição de renda, a identidade de gênero ou a busca pelos desaparecidos na última ditadura militar (1973-1985).

Vázquez conseguiria no domingo entre 44 e 46% dos votos, de acordo as projeções da consultoria Factum; 43%, segundo a Cifra; ou 43,6%, segundo a Equipos Mori.

Ele está longe dos 50,5% dos votos que levaram a esquerda ao poder no primeiro turno em 2005 e dos 48% obtidos por José Mujica, que venceu no segundo sem a maioria parlamentar.

"A Frente Ampla semeou compromisso e colheu confiança. Por tudo isso, vamos ganhar no próximo domingo, e com maioria parlamentar", afirmou Vázquez pouco depois da divulgação das últimas pesquisas. "Falta pouco, falta muito a ser feito, mas a FA chegará ao governo com a tranquilidade de quem vai cumprir o que promete", acrescentou o candidato de 74 anos, que foi o primeiro presidente de esquerda do país, eleito em 2005.

No campo oposto, o candidato do Partido Nacional - o "branco" Luis Lacalle Pou - convocou nas redes seus seguidores a "espalharem o espírito positivo", que foi o lema da campanha deste deputado de 41 anos, que avançou rapidamente, tornando-se a principal ameaça à esquerda. "Não viemos apenas para tirar a maioria parlamentar da Frente Ampla, viemos para governar agora e governar bem". "Não é porque os outros são ruins, é porque queremos ser melhores", discursou Lacalle na noite desta quinta-feira.

Segundo a Factum, Lacalle Pou teria entre 31 e 33% dos votos (32% segundo a Cifra e 33,4%, se acordo com a Equipos). Isso o deixaria no segundo turno, com a possibilidade de se aliar ao também tradicional Partido Colorado (centro-direita), que tem cerca de 15% das intenções de voto.

"Nunca serei visto eufórico com os resultados políticos. Mas estamos serenamente otimistas", disse Lacalle.

Para Ignacio Zuasnábar, da Equipos Mori, "não há chance alguma de vitória no primeiro turno".

Em meio a este cenário, a campanha para um segundo turno será "extremamente disputada", disse Zuasnábar.

O candidato dos "colorados", Pedro Bordaberry, também insistia que é o melhor para governar e considerou nesta quinta-feira que seu objetivo continua sendo o segundo turno.

Questionado pela oposição por ter se mantido de fora da campanha eleitoral, Mujica disse nesta quinta à agência oficial Télam, que confia que muitos uruguaios participem das eleições de domingo. "Precisamos disso", afirmou, considerando que "o povo uruguaio vai manter o rumo" e vai levar o candidato do governo à vitória.

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