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Gastos militares

Imposto extra bancou compra de armas nos EUA

por Redação Carta Capital — publicado 03/11/2011 16h23, última modificação 03/11/2011 16h23
Após atentados de 11 de setembro, país usou parte da taxa de manutenção de guerras para financiar novos equipamentos a preços elevados
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Atentados em NY deram projeção a Al Qaeda e Osama Bin Laden. Foto: Steffen Kaplan/NYTimes

Em meio às discussões no Congresso americano para a redução de custos militares, uma pesquisa da The Stimson Center, organização independente de estudos sobre paz e segurança, mostra que os Estados Unidos gastaram 1 trilhão de dólares (1,74 trilhão de reais) em equipamentos e armas desde os atentados de 11 de Setembro.

O levantamento "What We Bought: Defense Procurement From FY01 to FY10  expõe os gastos do Pentágono nas últimas décadas e sua estreita ligação com a indústria de armas americana.

Os dados enfraquecem a justificativa dos militares e conservadores no Congresso de que um corte no orçamento da Defesa poderia prejudicar as tropas americanas em batalha - já que, no período analisado, não houve problemas para financiar a compra de modernos gadgets.

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O autor do estudo, Russell Rumbaugh, oficial aposentado do Exército americano e ex-analista militar da CIA, aponta que a discussão sobre cortes preocupa os militares devido ao uso incorreto do dinheiro dos contribuintes. Anualmente, é votado o financiamento suplementar para a guerra, desembolso com consulta em separado ao orçamento regular da Defesa.

A taxação extra é destinada principalmente para manter as operações diárias em andamento no Iraque e Afeganistão, mas acabaram usadas na compra de armas. Desde 2001, 22% do 1 trilhão de dólares citado no estudo veio deste mecanismo.

Desta forma, os EUA gastaram 232,8 bilhões de dólares para manufaturar armas modernas, como tanques pesados e jatos de batalha F22. Por isso, o fim das guerras no Iraque e Afeganistão e o risco de cortes preocupa também a indústria de armas do país, que  não terá mais essa "verba" disponível.

Gastos desproporcionais

Segundo o estudo, nos últimos anos os EUA renovaram sua frota e modernizaram sua capacidade, especialmente na construção de sistemas existentes e na incorporação de novos. No entanto, gastou-se mais para comprar uma quantidade menor de equipamentos e armas.

Nos anos 80, o país comprou 375 jatos por cerca de 7,5 bilhões de dólares corrigidos para valores atuais. Em 2010, com 4 bilhões de dólares, os EUA adquiriram apenas 25 jatos, um aumento de 800% no preço dos mesmos. Há duas décadas, os aparelhos custavam 20 milhões de dólares cada, mas em 2010 saíram por 160 milhões de dólares a unidade.

Os dados apontam ainda que de 1981 a 1990, os EUA compraram 2.063 jatos com 68 bilhões de dólares, enquanto entre 2001 e 2010 adquiriram 220 jatos por 38 bilhões de dólares.

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