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Barril de pólvora

Hamas anuncia fim da trégua com Israel

por Redação Carta Capital — publicado 20/08/2011 11h30, última modificação 22/08/2011 18h31
Após aumento da tensão na região, tropas israelenses intensificaram bombardeios em Gaza e prenderam 120 membros do grupo islâmico; país também enfrenta protestos no Cairo pela morte de soldados egípcios

O grupo radical islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, anunciou no sábado 20 o fim da trégua acordada com Israel após a guerra de 2009, devido a uma série de ataques israelenses à área. A mensagem foi transmitida por uma rádio da organização, mas, segundo o jornal britânico The Guardian, um porta voz político da organização negou que isso tenha sido acordado. Ainda assim, a situação pode levar ao aumento da instabilidade na região.

Na noite de sábado 20, o exército de Israel prendeu 120 membros do Hamas na Cisjordânia, entre eles o deputado do grupo Mohamed Motlaq Abu J'heisha. A ação ocorreu após as Brigadas Ezzedine Al-Qassam, movimento armado islâmico braço do Hamas em Gaza, assumir o lançamento de quatro foguetes em direção ao país.

Israel intensificou os bombardeios aéreos a Gaza desde quinta-feira 18, quando ao menos oito pessoas morreram em um ataque a um ônibus e um automóvel militar israelenses nas proximidades do balneário de Elilat, no Sul do país e perto da fronteira com o Egito.

Os israelenses afirmaram que os indivíduos responsáveis pelo ataque entraram por Sinai, no Egito, e atribuíram a ação ao Comitê Popular de Resistência palestino. O Hamas negou envolvimento e o líder do grupo em Gaza, Ismail Haniyeh, pediu a intervenção egípcia e da ONU para acabar com os bombardeios.

Resposta

Após os ataques em Elilat, Israel realizou operações aéreas sobre a Faixa de Gaza, matando ao menos oito indivíduos. De acordo com o Guardian, 15 pessoas foram mortas na região desde quinta-feira 18, sendo três crianças. Os bombardeios israelenses também vitimaram ao menos três guardas egípcios na fronteira do Sinai, elevando os ânimos entre os dois países.

Israel acusou o Egito de ter perdido o controle da segurança na região, que por sua vez exigiu um pedido de desculpas pelas declarações e uma investigação sobre as mortes de seus soldados. O governo egípcio anunciou inclusive que estava chamando seu embaixador em Israel de volta ao Cairo até que a situação fosse resolvida.

O incidente provocou manifestações em frente a embaixada israelense na capital egípcia na sexta-feira 19, onde centenas de pessoas se reuniram com bandeiras palestinas aos gritos de "morte a Israel".

Para conter a crise rapidamente, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, lamentou no sábado o ocorrido com os guardas e anunciou uma investigação. Segundo o jornal israelense Haaretz, esta envolverá o exército de ambos os países.

Com o descontentamento do vizinho, com quem Israel vive um momento de incertezas após a queda do aliado Hosni Mubarak, Barak procurou enfatizar a importância do acordo de paz entre as duas nações. "O acordo é fundamental e estratégico para a estabilidade do Oriente Médio".

Histórico de conflitos

Em setembro, a Onu deve votar o reconhecimento do Estado Palestino, o que torna a situação ainda mais tensa na região. Apesar de a maioria acreditar numa resolução pacífica, paira no ar o temor de um agravamento do conflito. Há cerca de uma semana, Israel aprovou a construção de 1.600 casas na parte palestina de Jerusalém. Os assentamentos judaicos na Cisjordânia são foco de conflito, pois a região é considerada por muitos países como território palestino, ainda que não reconhecido como tal por Israel.

Segundo o cientista político Magid Shihade, ouvido pela CartaCapital em março, faz parte da estratégia israelense dividir para governar. Assim, os territórios palestinos são todos fragmentados, entrecortados por check-points israelenses na divisa com terras dominadas por Israel. “É como se eu pegasse seu maço de cigarros e dissesse ‘Talvez eu te dê um cigarro’”, diz Shihade.

A Faixa de Gaza tem 1,5 milhões de habitantes e está sob o controle de Israel desde 1967. O bloqueio à Faixa teve início em junho de 2006 com a captura do soldado Gilad Shalit por militantes do Hamas. Foi intensificado em 2007, quando o Hamas expulsou o Fatah do território. Israel invadiu Gaza no fim de dezembro de 2008, após militantes do Hamas lançarem foguetes caseiros Qassam contra o território israelense. A ofensiva, denominada Operação Chumbo Fundido, durou 22 dias: 1.390 palestinos foram mortos, segundo a ONG israelense B’Tselem. Destes, 759 não teriam tomado parte nas hostilidades, e 318 dos mortos tinham menos de 18 anos.

Fatah e Hamas fecharam em maio um acordo de reconciliação. “E essas novas lideranças palestinas concordam que uma luta armada, com base no estatuto original da Organização de Libertação da Palestina (1964) é a única solução para reavermos nossas terras com as fronteiras dos tempos do Mandato Britânico (1914-1939)”, disse à revista, em março, Mohammed Assad, professor de lingüística da Universidade de Al-Azhar.

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