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Internacional

Caso Battisti

Giorgio Napolitano e o caso Battisti

por Wálter Maierovitch publicado 10/01/2011 10h28, última modificação 10/01/2011 16h10
Antes da fuga Battisti perguntou aos amigos qual seria o melhor lugar para garantir a impunidade. Foi morar em Copacabana
Giorgio Napolitano e o caso Battisti

Antes da fuga Battisti perguntou aos amigos qual seria o melhor lugar para garantir a impunidade. Foi morar em Copacabana. Por Wálter F. Maierovitch

Antes da fuga Battisti perguntou aos amigos qual seria o melhor lugar para garantir a impunidade. Foi morar em Copacabana
Não conseguimos fazer Lula entender que o terror dos Battisti  era contra a República italiana, afirma o presidente Napolitano
O presidente Giorgio Napolitano é, pela sua história, o chefe de Estado que goza de maior prestígio na Europa.
Na Itália e toda a Europa, o respeitado Giorgio Napolitano é considerado o chefe de Estado que consegue,  com acionamento da Corte Constitucional, barrar todas as tentativas de Silvio Berlusconi ( primeiro ministro) de criar escudos legais para interromper andamentos de processos criminais em que figura como réu.
Berlusconi considera-se vítima de Napolitano e de toda a Magistratura italiana. Uma Magistratura composta de juízes que o perseguem e que chama, a exemplo de Giancarlo Caselli, como portadores de “toghe-rosse” (togas vermelhas, ideológicas).
Além de comunista histórico, resistente à época da luta contra o nazi-fascismo, Napolitano foi um dos responsáveis pelo “compromisso histórico”. Ou seja, a defesa da Itália democrática contra articulações, comandada pela  agência de espionagem norte-americana (CIA), imediatamente depois do golpe de Augusto Pinochet no Chile.
Na Itália, a CIA,  que preparou e apoiou o golpe contra o governo do então presidente Salvador Allende,  queria (1) impedir que o PCI chegasse ao poder (era o segundo maior, estava em ascensão e no Parlamento funcionava como fiel da balança por aglutinar as forças progressistas) e, também, (2)  derrubar o presidente italiano Sandro Pertini, do partido socialista e que fora preso ao tempo de Mussolini.
Ao lado de Enrico Berlinguer, o atual presidente Giorgio Napolitano era, quando do terrorismo na Itália (anos 70 e início dos 80), um dos líderes do Partido Comunista Italiano (PCI), de linha (eurocomunismo) independente da proveniente de Moscou.
À época, organizações eversivas radicais, de direita e de esquerda, promoveram ações terroristas para, pelas armas e não pelo voto, destruir a República italiana e aniquilar com o estado democrático de Direito.
Ontem, o presidente Giorgio Napolitano, em Ravena e durante a cerimônia de comemoração dos 150 anos da Unificação da Itália, recordou a história italiana, em especial as lutas contra o fascismo e o terrorismo.
Napolitano destacou que o terrorismo (anos 70 e início e início dos anos 80) objetivava liquidar com a República.
Num pronunciamento tocante, o chefe do Estado italiano frisou e referindo-se ao caso Battisti:  “ Não conseguimos fazer compreender, e vale a países vizinhos e distantes, o significado do terrorismo na Itália” ("Non siamo riusciti a far comprendere anche a paesi amici vicini e lontani cosa hanno significato" gli anni di piombo in Itália).
Napolitano ressaltou a sua preocupação quanto à perda da memória  histórica. Ou melhor, o esquecimento dos “riscos corridos pela Itália nos anos de luta a respeito do neofascismo e sobre os ataques dos terroristas contra a República italiana”.
Pano Rápido
Para a campanha de desinformação promovida no Brasil pelos chamados “amigos de Battisti”, o ladrão que no cárcere aderiu ao grupo Proletários Armados para o Comunismo (PAC) e, ao fora da prisão, assassinou (duas co-autorias e duas participações) um carcereiro, um açogueiro, um motorista policial e um joalheiro, interessa o falso rótulo de herói nacional perseguido pelos fascistas.
Em entrevista, Battisti avisou os brasileiros que a Itália era fascista e a Máfia controlava o poder. Só não disse que, até agora, foi o único que renegou ter, durante a luta armada, cometido violências e homicídios. Por isso, Battisti é detestado na França pela comunidade de foragidos, que não renegam os seus atos.
Por outro lado, para a “gauche caviar” francesa, aquela de intelectuais grudados e a cortejar o poder e Carla Bruni, a luta armada na Itália era apropriada para a derrubada de uma República que oprimia.
Isso sustenta a “gauche caviar”, àquela que adora as festas oficiais e aparecer em retratos da revista Caras de lá.
O socialista francês, François Mitterand, que recebeu medalha de mérito dos nazistas ao tempo de Vichy, foi pressionado, quando presidente, pela “gauche-caviar”.
Sem ter peito para escrever, Mitterand desenvolveu a chamada “doutrina Mitterand”. Por ela, os participantes  da luta armada na Itália poderiam permanecer em território francês desde que declarassem, verbalmente, que tinham deposto as armas.
A doutrina Mitterand,  por não ter sido escrita e não contar com o valor jurídico de uma ordem, foi abandonada e Battisti (outros também), por decisão da Justiça e do Estado, teve a extradição deferida.
Daí, Battisti fugiu para o Brasil.
Lógico, antes da fuga Battisti perguntou aos amigos qual seria o melhor lugar para garantir a impunidade. Foi morar em Copacabana. Arrumou uma namorada e chegou até a receber uns trocados do Gabeira, que o visitava a pedido dos dirigentes do partido Verde da França.

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