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Francisco reúne Peres e Abbas para orar pela paz

por AFP — publicado 08/06/2014 22h34, última modificação 08/06/2014 22h36
Líderes israelense e palestino atenderam ao chamado do papa e oraram junto a Francisco no Vaticano pela paz no Oriente Médio
AFP
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O presidente israelense Shimon Peres, papa Francisco e o líder palestino Mahmud Abbas plantam uma oliveira nos jardins do Vaticano neste domingo 8 de junho

Cidade do Vaticano (AFP) - O papa Francisco, o presidente de Israel, Shimon Peres, e o líder palestino, Mahmud Abbas, realizaram neste domingo, nos jardins do Vaticano, uma inédita oração conjunta pela paz no Oriente Médio.

O papa Francisco convidou palestinos, israelenses e todos os povos do Oriente Médio a darem exemplo de "coragem" e, favor da paz, afirmando que "é preciso mais coragem para a paz do que para a guerra".

Diante dos dois líderes, o papa acrescentou: "é preciso coragem para dizer sim à negociação e não às hostilidades, sim ao respeito de acordos e não às provocações, sim à sinceridade e não à duplicidade".

"O mundo", argumentou Francisco, "é um patrimônio que nós herdamos de nossos ancestrais, mas também um presente que damos às nossas crianças; crianças que estão cansadas e exaustas por causa de conflitos, que anseiam pelo nascimento da paz; filhos que nos pedem para que derrubemos as paredes da inimizade e que sigamos pelo caminho do diálogo e da paz".

"Muitos destes filhos sucumbiram, vítimas inocentes da guerra e da violência, plantas tiradas do solo em pleno vigor. É nosso dever fazer com que seu sacrifício não seja em vão. Que sua memória inspire em nós a coragem da paz, a força de perseverar no diálogo a qualquer custo, a paciência de costurar, dia após dia, a trama cada vez mais sólida de uma coexistência pacífica", pregou Francisco.

"A história nos ensina que nossas forças sozinhas não são suficientes. Mais de uma vez nós estivemos perto da paz, mas o mal, das mais diversas maneiras, conseguiu impedir que chegássemos até ela. É por isso que estamos aqui (...) Nós não renunciamos às nossas responsabilidades, mas invocamos Deus como um ato supremo de responsabilidade, face às nossas consciências e face aos nossos povos", disse o santo padre.

"Nos dê a coragem de dizer: 'guerra nunca mais'"; "com a guerra tudo é destruído!".

"Este encontro", lembrou o pontífice aos dois presidentes, "está sendo acompanhado pela oração de inúmeras pessoas, de diversas culturas, pátrias, línguas e religiões".

Shimon Peres reconheceu que para se obter a paz entre Israel e os palestinos são necessários "sacrifícios e compromissos".

"A paz não se alcança facilmente. Temos que unir todas as nossas forças para consegui-la, e pronto. Isto exige sacrifícios e compromissos", disse o presidente de Israel durante o encontro de oração.

Peres defendeu uma "paz entre iguais", afirmando que "nossa missão é conquistar a paz para nossos filhos".

"Nós podemos, juntos e agora, israelenses e palestinos, transformar nossa nobre visão em uma realidade de bem-estar e prosperidade. Está em nossas mãos conceder a paz a nossos filhos. É nosso dever, nossa santa missão", declarou Peres.

O líder palestino, Mahmud Abbas, por sua vez, em prece a Alá, deus dos muçulmanos, pediu uma "paz global e justa" para seu país e todo o Oriente Médio.

"Senhor, conceda-nos uma paz justa para todos, para nosso país e para a nossa região. Queremos a paz para nós e para nossos vizinhos", garantiu o presidente ao final da cerimônia, pedindo a Deus que "torne próspero e promisso o futuro" de seu povo, e que lhes conceda "a liberdade em nosso Estado soberano e independente".

O Papa argentino, cuja popularidade cresce entre católicos, judeus e muçulmanos, lançou de forma inesperada durante sua viagem em maio à Terra Santa esta iniciativa audaz com o desejo de aproximar israelenses e palestinos, particularmente distanciados após o fracasso em abril das negociações de paz.

Na manhã deste domingo, diante de milhares de fiéis que acompanharam o Ângelus na Praça de São Pedro, o Papa agradeceu a todos que rezaram e seguem rezando "tanto pessoalmente quanto em comunidade" pelo encontro pela paz no Oriente Médio.