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Internacional

Charlie Hebdo

França debate consequências do terror e como impedir novos atentados

por Deutsche Welle publicado 15/01/2015 10h01
Militares e policiais nas ruas dão sensação de segurança, mas é impossível garantir que novos ataques não acontecerão. Governo revê leis, mas descarta legislação que "coloca tudo e todos sob suspeita"
Martin Bureau / AFP
Paris

Policiamento na França está reforçado desde os ataques ao Charlie Hebdo

"E agora?", perguntam, após a histórica manifestação antiterrorismo em Paris, o jornal Le Parisien e outros meios de comunicação na França. Durante discussões em escolas, igrejas ou bistrôs, os franceses se perguntam que lições devem ser extraídas dos ataques terroristas.

O presidente François Hollande defendeu mais uma vez a unidade da nação. "A ameaça do terrorismo ainda está presente. Temos de levá-la a sério", disse. "A França protegerá todos os seus cidadãos, não importa no que eles acreditem ou não acreditem."

Nas ruas de Paris, chama a atenção a quantidade de soldados e policiais fortemente armados, parados em pontos estratégicos. O governo mobilizou cerca de 10 mil militares em todo o país. "É a primeira vez que tantos soldados são utilizados em nosso próprio território", disse o primeiro-ministro Manuel Valls.

Todas as instituições judaicas na França estão sendo vigiadas por 4.700 policiais adicionais. Muitos duvidam que esse esforço extra poderá mesmo impedir um novo ataque, e especialistas em segurança reconhecem que não existe proteção absoluta contra criminosos determinados a tudo.

Mas o governo quer mostrar capacidade de ação e pelo menos transmitir uma sensação de segurança à população. Hollande homenageou os três policiais que foram mortos nos ataques com uma medalha póstuma da Legião de Honra. "Eles morreram para que pudéssemos viver em liberdade", afirmou. O presidente tentou consolar a mãe do policial muçulmano de raízes africanas Ahmed Merabet, morto friamente na quarta-feira, diante da sede do Charlie Hebdo.

Depois de algumas semanas, quando o clima conturbado se acalmar, as medidas de segurança provavelmente serão relaxadas, deixando a pergunta: o que mais pode ser feito?

O governo francês já decidiu reforçar as leis de segurança e implementar antecipadamente medidas que já haviam sido planejadas. O Parlamento já havia aprovado, no final de 2014, uma nova lei antiterrorismo, prevista para começar a vigorar somente no fim deste ano. As medidas preveem maior isolamento de suspeitos de terrorismo e islamitas dentro das prisões. Um dos terroristas dos atentados da frança, Chérif Kouachi, já havia cumprido, em 2008, uma sentença por aliciamento de combatentes jihadistas e teria tido contato na prisão com Amedy Coulibaly, que atacou um supermercado judeu em Paris e é o responsável pela morte de cinco pessoas.

Os poderes dos serviços secretos deverão ser ampliados. Os problemas jurídicos que ainda impedem a limitação de viagens de jihadistas devem ser eliminados logo. Os terroristas que atacaram o Charlie Hebdo, Said e Chérif Kouachi, teriam, entre 2009 e 2011, viajado várias vezes ao Iêmen, onde teriam entrado em contato com a ramificação local da rede Al Qaeda e sido treinados no uso de armas.

Autoridades francesas estimam haver cerca de 1.400 cidadãos da França lutando em grupos terroristas no Iraque e na Síria. Segundo o Ministério do Interior francês, eles são principalmente radicais islâmicos. A polícia suspeita que haja na França uma célula terrorista com até seis membros, que poderia ter apoiado os autores dos atentados na semana passada.

De acordo com relatos da mídia, os atacantes também usavam minicâmeras GoPro no corpo, com as quais puderam registrar seus crimes. A câmera dos irmãos Kouachi não estava ligada durante o ataque ao Charlie Hebdo. Já Coulibaly teria filmado a carnificina que causou no supermercado judeu. Segundo o jornal Le Figaro, haveria um cartão de memória que estaria agora sendo analisado pelos investigadores.

O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, anunciou que pretende pressionar para que seja aprovada uma lei europeia de coleta e análise de dados de passageiros de voos. Até agora, o Parlamento Europeu a vetou por razões de proteção de dados. Os Estados Unidos introduziram a coleta de dados de passageiros após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2011. Os irmãos Kouachi estavam na lista de terroristas das autoridades dos EUA e não teriam conseguido entrar no país por via aérea. As autoridades francesas também haviam mantido um dos irmãos sob vigia, mas pararam com o monitoramento há alguns meses.

  • Autoria Bernd Riegert (md)

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