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Extremistas tomam mais regiões no Iraque e se aproximam da capital

por Deutsche Welle publicado 12/06/2014 09h36, última modificação 12/06/2014 09h40
Após tomar segunda cidade do país, grupo ligado à Al Qaeda invade outras localidades e chega a cerca de 100 quilômetros de Bagdá. Avanço dos jihadistas provoca preocupação internacional
Safin Hamed / AFP
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Família iraquiana foge da violência no norte da província de Nínive e chega a um posto de controle curdo no Aski Kalak, na região autônoma do Curdistão, neste 11 de junho

Extremistas islâmicos assumiram o controle de outras localidades no Iraque, após a conquista da província de Nínive e da sua capital, Mossul, segunda maior cidade do país. Nesta quarta-feira 11, eles chegaram a cerca de 100 quilômetros de Bagdá. Os guerrilheiros do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) se apoderaram de grande parte do território, mergulhando o país numa severa crise política interna. O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, estaria concentrando suas tropas na capital e buscando ajuda de parceiros curdos.

O avanço dos jihadistas provoca preocupação internacional. As tropas do EIIL chegaram a Samarra, cerca de 130 quilômetros ao norte de Bagdá, tendo controlado, no caminho, as regiões de Nínive, Anbar e Salah ad-Din, em que se situam as cidades estrategicamente importantes de Tikrit e Baiji.

Na terça-feira, os extremistas tomaram o controle de Mossul, enfrentando pouca resistência do Exército iraquiano e provocando a fuga de cerca de 500 mil pessoas. Segundo a Organização Internacional de Migração (OIM), elas teriam deixado suas casas por medo de ataques violentos. A entidade afirmou, ainda, que as batalhas na cidade provocaram grande quantidade vítimas entre a população civil.

Os rebeldes tomaram Tikrit, na região central do Iraque, segundo autoridades locais. "Tikrit inteira está nas mãos dos guerrilheiros", disse um coronel da polícia local. Como ocorreu em Mossul, os rebeldes libertaram centenas de prisioneiros na cidade, onde nasceu o ditador Saddam Hussein.

Refinaria nas mãos de radicais
Em Baiji, cerca de 200 quilômetros ao norte de Bagdá, membros do EIIL colocaram fogo em sedes da polícia e de um tribunal, além de apreenderem armas. Eles tomaram o controle da maior refinaria de petróleo do país e de uma usina de eletricidade que fornece energia a Bagdá. Segundo relatos locais, o EIIL também ergueu barricadas diante de Kirkuk, no norte do Iraque.

Em Mossul, as batalhas continuam. De acordo com o governo turco, radicais sunitas invadiram o consulado local da Turquia, fazendo 48 reféns. Entre eles, estariam o cônsul turco, membros de uma unidade especial, funcionários consulares e várias crianças.

O premiê iraquiano Nuri al-Maliki classificou os relatos sobre o avanço dos guerrilheiros do EIIL como "conspirações" e "notícias falsas", acrescentando que o Exército está cuidando da estabilização da região. Maliki também propôs a formação de uma nova brigada, integrada por soldados e civis, para contra-atacar os terroristas, de acordo com o portal de notícias Al-Sumaria News.

Premiê pede ajuda aos curdos
Segundo relatos não confirmados, na noite de quarta-feira, as tropas iraquianas restantes estariam sendo concentradas em Bagdá. O chefe de governo pediu também ajuda a forças curdas independentes, as chamadas tropas peshmerga, situadas no norte do país. De acordo com o site curdo de notícias Rudaw, as tropas teriam concordado em atender o apelo.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, apelou para os políticos do Iraque atuarem unidos contra a "ameaça regional" EIIL, alertando que "deve ser feito mais para a segurança do povo iraquiano".

"Quando falo que políticos locais devem fazer mais, isso inclui também Maliki", ressaltou. O governo da Alemanha afirmou que está vendo os acontecimentos no Iraque "com extrema preocupação". O porta-voz do ministério do Exterior da Alemanha, Martin Schäfer, apelou para que todos os campos políticos iraquianos encerrem suas disputas pelo poder.

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