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Expulsão de ciganos: Berlusconi apoia Sarkozy

por Wálter Maierovitch publicado 16/09/2010 11h05, última modificação 16/09/2010 11h07
Pelo decreto baixado pelo presidente francês, nos próximos 3 meses, deverão ser deportados os imigrantes que residem em 300 acampamentos
Expulsão de ciganos: Berlusconi apoia Sarkozy

Pelo decreto baixado pelo presidente francês, nos próximos 3 meses, deverão ser deportados os imigrantes que residem em 300 acampamentos

1. Ontem, a França expulsou do seu território, manu malitari, 220 ciganos e os enviou para a Romênia e a Bulgária.

Pelo populista decreto baixado pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, nos próximos 3 meses, deverão ser deportados os imigrantes que residem em 300 acampamentos e a começar pelos ciganos. Atenção: a começar por ciganos.

A respeito do decreto, a primeira-dama Carla Bruni, mantém-se em total silêncio, apesar de se apresentar como defensora dos direitos humanos, em entrevistas e eventos fora da França.

Pelo que se nota, La Bruni está mais interessada na repercussão da autobiografia que não autorizou ("Carla, une Vie Secrete") e onde foi detonada pela autora, uma jornalista Besma Lohouri do L´Express. Com o título ‘Une vie secrete’, a obra será lançada hoje à noite nas livrarias francesas e já está sendo lida por Gianni Carta, correspondente de CartaCapital onde, revolucionários do século XVIII, bateram-se pela “liberdade, fraternidade e igualdade”.

O Parlamento europeu expediu resolução, aprovada por maioria, de censura a Sarkozy e com pesadas críticas a José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Européia, por não ter atuado de modo a brecar o “repatriamento” de ciganos.

2. Hoje, em entrevista ao jornal ‘Le Figaro’, o premier italiano, Silvio Berlusconi, defendeu o acerto de Sarkozy e criticou a comissária e vice-presidente da Comissão européia para a Justiça, Viviane Reding. A respeito, o ministro do Interior do governo Berlusconi prepara, há meses, um decreto de expulsão de ciganos, lá chamados de “rom’, a completar a
recente legislação italiana de criminalização de imigrantes clandestinos e o acordo com o ditador líbio Muamar Kadafi, que aceita os deportados e vigia os portos e as águas territoriais para evitar a saída para a Itália de pessoas de várias partes da África.

A comissária Reding disse que o decreto de Sarkozy é vergonhoso e chega ao cúmulo ao priorizar uma etnia, ou seja, os ciganos. Sarkozy, atolado até o pescoço no escândalo a envolver a milionária herdeira de 87 anos do grupo L´Oreal, recomendou à comissária, seguramente inspirado em algum cafajeste do bas-fonds, para que levasse os ciganos que estão na França para Luxembrurgo, terra natal de Reding.

Para Berlusconi, a comissária não deveria tratar publicamente de um tema candente e a Comissão Européia precisaria, em reunião com chefes de estados e de governos, discutir a matéria, em defesa dos estados-membros, vítimas das deslocações de pessoas.

Ao ser informada da resposta de Sarkozy, a comissária Reding criticou dois ministros francês, Eric Besson e Pierre Lellouche, por terem mentido ao afirmar que o decreto de Sarkozy não fazia menção a ciganos, como alvos prioritários.

3. PANO RÁPIDO. A violação pela França de normas comunitárias européias sobre direitos humanos é de uma clareza solar.

Essas normas asseguram a livre circulação de pessoas, de bens e de capitais, nos 27 países que integram a União Européia. Os ciganos que estão sendo expulsos, e são considerados indesejáveis por Sarkozy, provém da Romênia e da Bulgária, que são membros da União Européia.

Por feliz iniciativa da supracitada comissária Reding, instaurou-se, contra a França, um procedimento infracional por violação de princípios e regras da Comunidade Européia. O próximo, seguramente, contemplará ato de Berlusconi.

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