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Ex-presidente paquistanês é acusado formalmente por morte de Benazir Bhutto

por AFP — publicado 20/08/2013 10h57, última modificação 20/08/2013 11h01
Pervez Musharraf é suspeito do assassinato de sua rival em 2007. É a primeira acusação de um ex-chefe das Forças Armadas no país
Dominique Faget / AFP
 Pervez Musharraf

O ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf participa de uma coletiva de imprensa, em Bruxelas

O ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf foi acusado formalmente nesta terça-feira 20 do assassinato de sua rival Benazir Bhutto em 2007, o que constitui a primeira acusação de um ex-chefe das Forças Armadas do Paquistão.

"É acusado de homicídio, conspiração para assassinato e facilitação de homicídio" de Benazir Bhutto, então chefe do Partido do Povo Paquistanês (PPP), declarou à AFP o promotor Chaudhry Azhar ao fim de uma audiência em Rawalpindi, cidade vizinha da capital, Islamabad. Benazhir Bhutto foi eleita duas vezes primeira-ministra do Paquistão.

Pervez Musharraf, que retornou ao Paquistão no fim de março após quatro anos de exílio, se viu afundado rapidamente em vários casos judiciais, sobretudo na morte de Bhutto, ocorrida no dia 27 de dezembro de 2007 em Rawalpindi. O ex-general está em prisão domiciliar nos arredores da capital e compareceu à audiência custodiado pela polícia e pelas forças especiais.

"A ata de acusação foi lida pelo tribunal. Ele negou todas as acusações", acrescentou o promotor, que disse que a próxima audiência está prevista para o dia 27 de agosto.

"As acusações são infundadas. Não temos medo deste processo. Vamos respeitar o trâmite judicial", respondeu Sayeda Afshan Adil, advogada de Pervez Musharraf.

"Esta acusação de caráter político que envolve o ex-presidente Musharraf no assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto não é apenas falsa, fabricada e fictícia, mas também uma tentativa indigna de sujar a honra e a integridade do ex-presidente em escala mundial", indicou a equipe de Musharraf em um comunicado transmitido à AFP.

Um relatório das Nações Unidas em 2010 afirmou que a morte de Bhutto poderia ter sido evitada e acusou o governo de Musharraf de não dar a ela a proteção adequada.

"Há um longo caminho a ser percorrido e será muito, muito difícil provar que ele dirigiu a conspiração de assassinato ou que ele era o autor intelectual", disse à AFP o analista político Imtiaz Gul.

Pervez Musharraf pode escolher este "longo caminho", disse Gul, que tampouco descartou a possibilidade de um acordo pelo qual o Estado abandonaria as acusações em troca de um retorno ao exílio do ex-presidente.

Por outro lado, a acusação do ex-chefe das forças paquistanesas deve gerar novas tensões entre os militares e o poder civil, prevê o analista político Hassan Askari. "O exército vigiará de perto como se desenvolve o processo e até que ponto isso suja a imagem dos militares. O exército não está na defensiva, mas busca simplesmente conhecer o impacto deste processo nele", explica.

O "General Musharraf", que completou na semana passada 70 anos, tomou o poder em outubro de 1999 após um golpe de Estado militar. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, Musharraf se converteu em um aliado chave de Washington na guerra contra o terrorismo.

Benazir Bhutto, primeira mulher eleita premier em um Estado muçulmano, voltou ao Paquistão no fim de 2007 com o objetivo de participar das eleições legislativas, mas rapidamente foi vítima de ameaças de morte, razão pela qual solicitou mais proteção ao regime do presidente Musharraf. Bhutto foi morta em frente a milhares de simpatizantes durante um comício em Rawalpindi.

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