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EUA reconhecem mortes de guatemaltecos por sífilis

por Redação Carta Capital — publicado 30/08/2011 14h55, última modificação 30/08/2011 16h38
O presidente americano Barack Obama pediu desculpas por telefone ao presidente da Guatemala, Álvaro Colom, dizendo que os estudos contrariam os valores norte-americanos

Depois de mais de 60 anos, os Estados Unidos reconhecem que cientistas americanos fizeram experimentos com vírus da sífilis e gonorreia em mais de mil pessoas na Guatelama nos anos 1940. Os experimentos causaram a morte de 83 guatemaltecos à época. O reconhecimento foi feito pelo presidente Barack Obama nesta segunda-feira (29). após a conclusão da comissão presidencial para Estudos dos Assuntos da Bioética sobre o assunto.

O experimento, que contaminou 1,3 mil pessoas na Cidade da Guatemala, de acordo com a comissão, permaneceu em segredo por mais de seis décadas. Os EUA admitiram os testes em outubro de 2010, quando a secretária de Estado, Hillary Clinton, e a secretária da Saúde, Kathleen Sebelius, fizeram uma declaração conjunta desculpando-se pela pesquisa.

O grupo de investigação disse que os cientistas americanos infectaram prisioneiros, pacientes psiquiátricos e órfãos em estudos que testavam a abrangência da penicilina. Um relatório deverá ser divulgado no próximo mês com conclusões finais sobre o caso com recomendações e uma análise histórica para evitar que a situação se repita.

De acordo com a presidente da comissão, Amy Gutmann os cientistas "não pediram o consentimento das pessoas e as enganaram, não dando tratamento com penicilina às que estavam infectadas com sífilis e gonorreia".

Por telefone, Obama pediu desculpas ao presidente da Guatemala, Álvaro Colom, dizendo que os estudos contrariam os valores norte-americanos. No começo deste ano, vários cidadãos guatemaltecos infectados à época e parentes das vítimas anunciaram que estavam abrindo um processo contra o governo americano.

No total, um grupo de 5,5 mil pessoas participaram dos estudos, sem saber dos riscos que corriam, segundo declarações de um dos investigadores, Stephen Hauser. Na relação dos infectados, apenas 700 receberam tratamento médico. Ao fim, 83 morreram.

A sífilis pode causar cegueira, distúrbios mentais e até a morte, caso os doentes não recebam o devido tratamento. Menos nociva e mais fácil de curar que a sífilis, a gonorreia pode se espalhar pelo organismo e até causar infertilidade nos homens.

A história dos experimentos americanos na Guatemala veio à tona no ano passado, fruto de uma pesquisa histórica da professora Susan Reverby, do Wellesley College, de Massachusetts. Segundo a acadêmica, o governo guatemalteco da época deu permissão aos estudos, que ocorreram entre 1946 e 1948.

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