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Internacional

EUA podem espionar quase tudo que internauta faz, revelam documentos

por Deutsche Welle publicado 31/07/2013 17h23, última modificação 01/08/2013 11h24
Com base em dados fornecidos por Edward Snowden, jornal inglês mostra como funciona o XKeyscore, programa mais abrangente do serviço secreto americano, que permite interceptar qualquer atividade online sem autorização
John MacDougal / AFP

O sistema de vigilância informática denominado XKeyscore permite ao serviço de inteligência dos Estados Unidos monitorar "quase tudo o que um usuário típico faz na internet". A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Guardian nesta quarta-feira 31, com base em documentos fornecidos pelo ex-colaborador do serviço secreto americano Edward Snowden.

Em seu website, o periódico publicou uma série de slides, expondo as funções do XKeyscore, que parecem fazer parte de aulas de treinamento interno da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla original) dos EUA.

Os slides estão marcados como "top secret", sendo restritos a pessoal autorizado de EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Produzidos em 2007, eles não estavam previstos para ser liberados antes de 2032.

Quatro dos 32 slides foram exibidos com tarjas pelo jornal por revelarem detalhes de operações específicas da NSA – como, por exemplo, a prisão de mais de 300 terroristas. Entretanto, os demais demonstram a operação do software em detalhes.

Servidores no Brasil, testes na Alemanha

Segundo o Guardian, trata-se do programa mais abrangente operado pela NSA. Os documentos sedimentam as afirmativas feitas por Snowden em sua primeira vídeo-entrevista ao jornal, em 10 de junho último, quando ainda se encontrava em Hong Kong:

"Eu, sentado à minha escrivaninha, posso grampear qualquer pessoa, desde você ou seu contador, até um juiz federal ou até o presidente, se tiver um e-mail pessoal", declarara na ocasião o ex-consultor da CIA, atualmente foragido na Rússia.

Os slides confirmam que o XKeyscore permitiria a espiões americanos monitorar, em tempo real, e-mails, navegação e buscas na rede, uso de mídia social, assim como praticamente qualquer atividade online de um determinado sujeito-alvo – tudo sem qualquer autorização prévia.

A infraestrutura informática do sistema é baseada num "cluster Linux distribuído de grande escala", com 700 servidores em todo o mundo. Num mapa intitulado "Onde está o XKeyscore?", reproduzido pelo Guardian, pontos vermelhos sugerem a concentração desses servidores na Europa e em outros países – tanto aliados dos EUA (um dos pontos se localiza no centro do Brasil), quanto rivais, como Rússia, China ou Venezuela.

Em pelo menos um ponto o XKeyscore parece diferir dos demais softwares de monitoramento da inteligência americana já revelados: ele é capaz de indexar e tornar pesquisável praticamente qualquer atividade online. "Nenhum outro sistema realiza isso com base em tráfico informático em massa, não processado e não selecionado", diz o documento.

A Alemanha também vem testando o XKeyscore, porém não o utiliza para interceptação de dados, como declarou recentemente o presidente do Departamento Federal alemão de Proteção da Constituição (BfV, na sigla original), Hans-Georg Maassen.

AV/dpa/afp/tg
Edição Rafael Plaisant

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