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Internacional

EUA inauguram escudo anti-míssil na Espanha

por Redação Carta Capital — publicado 06/10/2011 12h57, última modificação 06/10/2011 17h25
A contragosto de líderes russos, Obama inaugura seu plano para defesa da Europa Ocidental; Madri comemora geração de empregos

Espanha e Estados Unidos fecharam acordo na quarta-feira 5 sobre a instalação de um escudo antimísseis em território espanhol. A base espanhola de Rota deve abrigar navios da marinha americana com detectores para ameaças militares. Além disso, os EUA enviaram quatro destróieres Aegis para a base.

A ação faz parte do plano iniciado no governo George W. Bush para progeger os países da Otan de possíveis ataques nucleares do Irã e Coreia do Norte. Além da base espanhola, a estrategia prevê instalação de radares na Romênia, Polônia e Turquia, além de porta-aviões com defesa anti-aérea no mar Mediterrâneo.

A decisão é reflexo da crise vivida hoje tanto pelos Estados Unidos – que terá um corte de 450 bilhões de dólares no orçamento de Defesa para os próximos dez anos. O plano é relativamente barato. Segundo a Otan, cada país membro deverá desembolsar 260 milhões de dólares para o escudo. Além disso, a Espanha comemora a criação de cerca de mil novos empregos com a construção da base. Incentivos econômicos de qualquer espécie são alvo do desejo espanhol, que possui hoje a maior taxa de desemprego do continente, de 21,1% em julho.

Se, no discurso, os EUA tinham a intenção de defender a Europa Ocidental contra Irã e Coreia, acabou atingindo a Rússia. A ex-potência soviética se manifestou nesta quinta-feira contra o pacto traçado com a Espanha, alegando que a defesa irá reduzir o poder dissuasório do seu arsenal nuclear.

Segundo a Reuters, a chancelaria russa apontou para a possibilidade de corrida armamentista, caso a possibilidade de utilizar escudo contra mísseis russos não seja revista.

O país havia se manifestado sua oposição a um primeiro plano americano, que previa instalação de equipamento de defesa na Polônia e de radares na República Tcheca e atingiria a capacidade bélica da Rússia. Mesmo com as modificações, o país continua a se colocar contra o plano de Obama e afirma que, se mantido, descarta possibilidades de cooperação com a OTAN na estratégia de defesa da região.

Em artigo publicado no jornal o  Estado de S. Paulo, o filósofo Gilles Lapouge aponta para um aumento do contigente do exército russo de 16 mil para 26 mil entre 2009 e 2010 na região dos bálticos. Além disso, no início do ano, São Petersburgo recebeu mísseis de curto alcance, mas com capacidade nuclear. Medidas sinalizam para um aumento do poder militar russo na Europa, o que condiz com a postura intransigente do país em relação à instalação dos escudos - num momento em que a Rússia reivindica para si o título de potência bélica da região.

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