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EUA: Democratas mantêm liderança no Senado, mas perdem Câmara para republicanos

por Opera Mundi — publicado 03/11/2010 10h03, última modificação 03/11/2010 17h07
Analistas acreditam que resultado põe em risco a agenda política de Obama. Legalização da maconha é rejeitada na Califórnia

Analistas acreditam que resultado põe em risco a agenda política de Obama. Legalização da maconha é rejeitada na Califórnia

Por Carolina Cimenti*

O Partido Republicano reconquistou a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições legislativas desta terça-feira (02/11). Nos últimos quatro anos, os democratas ocuparam quase dois terços da Câmara, com 255 representantes, enquanto os republicanos contavam com 178 vagas. No entanto, o partido do presidente Barack Obama manteve a maioria no Senado.
A rede de televisão CNN projetou uma proporção de 233 assentos para os republicanos e 180 para os democratas e de 51 cadeiras no Senado para os democratas e 47 para os republicanos.

Nestas eleições legislativas de meio de mandato, os norte-americanos renovam por completo a Câmara de Representantes (435 cadeiras) e 37 ocupantes do Senado (de um total de cem), assim como 37 governadores dos 50 Estados do país. Até agora, no Senado, os democratas ocupavam 59 cadeiras e os republicanos, 41.

Barack Obama telefonou ontem aos líderes republicanos na Câmara, John Boehner - provável futuro líder da casa -, e no Senado, Mitch McConnell. Obama disse que espera "colaborar com os republicanos para encontrar terreno comum, fazer avançar este país e conseguir coisas em favor do povo norte-americano", indicou a Casa Branca, sem dar mais detalhes.

Os republicanos prometeram que, sob a liderança de Boehner, reverterão a reforma da saúde aprovada por Obama e iniciarão cortes de impostos que, segundo eles, ajudarão a reduzir o déficit e impulsionar o crescimento.

Karen Tumulty, jornalista do Washington Post, lembrou que esta é a terceira eleição em que houve uma troca de poderes. Em 2006, ainda durante o governo de George W. Bush, a Câmara passou para as mãos dos  democratas. Em 2008, Barack Obama foi eleito para a presidência, e agora a Câmara volta ao partido da oposição. "Mudanças rápidas e radicais no Congresso são relativamente novas na história dos Estados Unidos. E elas mandam uma mensagem clara: não gostamos do que vocês estão fazendo, e vamos tirá-los daí", escreveu Tumulty.

A eleição vem sendo encarada como um veredicto sobre os dois primeiros anos do governo de Obama, que assumiu prometendo mudanças mas ainda não conseguiu implementar muitos de seus projetos.

Os Estados Unidos conseguiram sair da recessão, mas o ritmo da recuperação econômica tem sido considerado lento demais para reduzir a taxa de desemprego, que permanece há vários meses em torno de 10%.

Tea Party - A noite eleitoral confirmou também a ascensão do movimento ultraconservador Tea Party, que conquistou sua primeira grande vitória da noite com o triunfo de Rand Paul para o Senado por Kentucky. "Chegamos para recuperar nosso governo", afirmou Paul após a confirmação da vitória.

A segunda vitória do movimento foi com o republicano de origem cubana Marco Rubio, que superou o independente Charlie Crist na disputa por uma cadeira no Senado pela Flórida.

No entanto, uma das figuras de maior destaque do Tea Party nesta campanha, Christine O'Donnell, perdeu a corrida pelo Senado em Delaware para o democrata Christopher Coons.

O Tea Party deu seu apoio específico a 129 candidatos para a Câmara de Representantes e a nove para o Senado e teve como base de sua ascensão a insatisfação dos norte-americanos mais conservadores com a economia e o aumento dos gastos públicos.

Proposição 19 (por Redação CartaCapital)

A pesquisa boca-de-urna da Califórnia indica que a proposição 19, que legalizaria o uso, a cultivação e a comercialização da maconha no Estado, foi rejeitada pelos eleitores. Já existe uma "legalidade oficiosa" na Califórnia em que pequenas cooperativas cultivam a erva, conta o professor de história da USP Henrique Carneiro em entrevista à CartaCapital (para ler a entrevista na íntegra, ). Atualmente a maconha é vendida apenas sob prescrição médica.

*Matéria originalmente publicada no Opera Mundi

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