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"Estou farto de pessoas que matam muçulmanos no Afeganistão", teria dito autor de atentado

por Redação — publicado 23/05/2013 19h06
Relato é de britânica de 48 anos e uma das primeiras a estabelecer contato com os agressores. Segundo ela, tentativa foi de desviar a atenção deles, pois crianças saiam da escola no momento
via Twitter
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Ingrid Loyau-Kennett conversando com um dos homens que praticaram o atentado

O ataque realizado por dois homens a um soldado na quarta-feira 22, em Londres, está sendo considerado um ataque terrorista pelo governo britânico. O mais recente relato que envolve o incidente é de uma mulher de 48 anos, uma das primeiras pessoas a estabelecer contato com os agressores. Em entrevista ao Daily Telegraph, Ingrid Loyau-Kennett disse que tentou desviar a atenção do mais agitado deles, porque no horário muitas crianças começavam a sair da escola. “Eu pensei: essas pessoas geralmente têm algo a dizer. Então eu disse: o que você quer?”. Segundo ela, o homem respondeu dizendo que eles queriam “começar uma guerra em Londres esta noite” e teria completou dizendo “Eu o matei porque ele matou muçulmanos e estou farto de pessoas que matam muçulmanos no Afeganistão. Eles não têm nada para fazer lá”, completou.

Em nota divulgada pelo Ministério da Defesa britânico, nesta quinta-feira 23, foi confirmado que o soldado era Drummer Lee Rigby  e que ele já havia servido no Chipre, em 2008, e no ano seguinte serviu no Afeganistão, no Fire Support Group, uma divisão do exército britânico.

Ingrid Loyau-Kennett, que é mãe de dois filhos, disse ter achado que se tratava de um acidente no começo. Ao se aproximar do corpo estendido no chão, um dos agressores lhe interrompeu: “Não se aproxime tanto do corpo”. Foi quando ela viu a oportunidade de estabelecer contato com ele.

“Eu perguntei pra ele: ‘Você fez isso’? E ele disse que sim. Eu perguntei: ‘Por quê?’ E ele disse: ‘Porque ele [e apontou para o homem estirado no chão] matou muçulmanos em países muçulmanos’”. Segundo ela, ele não aparecia estar sob efeito de drogas. "Ele não estava drogado. Ele não era um alcoólatra ou embriagado. Ele estava estressado. Ele estava em total controle de suas decisões e pronto para [fazer] tudo o que ele queria fazer", disse Loyau-Kennett.

"Lamento que mulheres tenham sido testemunhas do que aconteceu hoje, mas em nosso país, nossas mulheres veem o mesmo tipo de coisa", disse ainda o jovem negro que levava duas facas e um cutelo ensanguentados. De acordo com a AFP, o homem e seu cúmplice pediram que as pessoas no local filmassem a cena na qual continuavam a esfaquear o corpo da vítima. Algumas afirmaram que eles se preparavam para decapitá-la. Elas também disseram ter ouvido os agressores gritando "Allahu Akbar" (Deus é grande, em árabe).

Segundo a nota divulgada pelo Ministério da Defesa, Drummer Lee Rigby tinha 25 anos, era percussionista de banda militar e pertencia ao Segundo Batalhão do Regimento Real de Fuzileiros. Ele tinha um filho de dois anos.

Com informações da AFP