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Espionagem ameaça arranhar relações entre EUA e UE

por Deustche Welle — publicado 02/07/2013 09h31, última modificação 02/07/2013 09h32
Políticos europeus classificam atividades americanas de interceptação de dados como inadmissíveis entre países amigos e exigem explicações. Obama promete esclarecer devidamente nações aliadas
EUA

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov e o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry

O governo alemão reagiu com surpresa e descontentamento, e exige esclarecimentos imediatos sobre as presumíveis operações de espionagem da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) na Alemanha e na União Europeia.

"Caso se confirme que representações diplomáticas da União Europeia e de países europeus de fato sofreram espionagem, precisamos dizer com toda a clareza: interceptar comunicações de amigos é inaceitável", afinal, não se está mais na Guerra Fria, declarou nesta segunda-feira 01, em Berlim, o porta-voz da chancelaria federal, Steffen Seibert.

Segundo ele, a chanceler federal Angela Merkel pretende conversar em breve sobre o assunto com o presidente dos EUA, Barack Obama, e o governo alemão já travou contato com Washington neste fim de semana. Em giro pela Tanzânia, Obama assegurou que vai "esclarecer devidamente" países aliados.

Com base em documentos do ex-agente da CIA Edward Snowden, a revista alemã Der Spiegelnoticiou que a NSA vinha vigiando especificamente repartições da União Europeia em Bruxelas, Washington e Nova York. Utilizando dispositivos de escuta e penetrando em redes informáticas, os agentes estariam aptos a escutar conversas e acessar e-mails e documentos confidenciais.

O jornal britânico The Guardian acrescentou que os alvos da agência da segurança incluiriam também as embaixadas de França, Itália e Grécia, além das de outros aliados como Japão, México, Coreia do Sul e Turquia.

Mal-estar na Europa
O presidente da França, François Hollande, pediu o fim imediato das ações de espionagem. "Não podemos aceitar tal comportamento entre parceiros e aliados", declarou. Segundo ele, já existem indícios suficientes sobre as atividades do serviço secreto para que sejam exigidos "esclarecimentos" por parte dos EUA.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, também impôs: "Queremos saber de forma inequívoca e confiável por parte dos americanos se as acusações levantadas procedem", afirmou. Até porque, continuou, as ações não são justificáveis do ponto de vista da segurança, já que se trata de nações amigas.

Westerwelle informou ter entrado em contato com a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, a fim de deliberar sobre as ações futuras. "Como europeus, aqui também temos que agir em conjunto", disse

Livre comércio euro-americano em questão
O porta-voz Seibert observou que, caso essas notícias procedam, "então tratar-se-ia de um caso em que será necessário restabelecer a confiança [entre a UE e os EUA]". A comissária europeia da Justiça, Viviane Reding, chegou a questionar o planejado acordo de livre comércio entre os Estados Unidos e a UE.

"Não podemos negociar sobre um grande mercado transatlântico enquanto existir a menor suspeita de que nossos parceiros espionam os escritórios de nossos negociadores-chefes", comentou no domingo em Luxemburgo, de acordo com uma reportagem do Spiegel Online.

Políticos da oposição alemã também pronunciaram-se de forma semelhante. O candidato social-democrata à chefia de governo, Peer Steinbrück, observou: "Não consigo conceber que se esteja negociando num momento em que estão sendo espionados o prédio do Conselho Europeu em Bruxelas, governos nacionais e também a representação diplomática europeia em Washington".

O candidato do Partido Verde, Jürgen Trittin, sugeriu ainda que o informante Edward Snowden receba abrigo político na União Europeia, possivelmente até na Alemanha. Snowden, que ainda se encontra na zona de trânsito do aeroporto de Moscou, pediu asilo à Rússia. O presidente Vladimir Putin já deferiu o pedido informalmente – contanto que Snowden não siga prejudicando os EUA com revelações.

AV/dpa/rtr/afp

  • Edição Rafael Plaisant