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A Líbia pós-Kaddafi

Enterro é cercado de mistérios

por Redação Carta Capital — publicado 21/10/2011 09h51, última modificação 21/10/2011 17h09
A alta comissária da ONU defende investigação completa sobre a morte e classifica como 'perturbadoras' as imagens da captura

*Atualizado às 18h11

O enterro de Muammar Kaddafi, ex-presidente da Líbia, está cercado de mistérios e informações desencontradas. As autoridades do Conselho Nacional de Transição (CNT), que governam o país provisoriamente, evitam detalhar o local onde o corpo será enterrado e informar a data da cerimônia para evitar peregrinação e manifestações.

O corpo de Kaddafi, segundo integrantes do CNT, é mantido em uma mesquita em Misrata, cidade para onde ele foi levado depois de sua captura na cidade de Sirte – cidade natal de Kaddafi. No entanto, representantes do conselho informaram que o sepultamento do ex-presidente ocorrerá seguindo os preceitos muçulmanos e respeitando o corpo. Ontem (20), entretanto, o corpo de Kaddafi foi exposto pelas ruas de Misrata.

A morte de Kaddafi levanta uma série de dúvidas sobre as circunstâncias exatas de sua captura. Fotos e vídeos mostraram o ex-líder vivo e ensanguentado, logo depois da captura, em uma ofensiva contra sua cidade natal, Sirte. Também há imagens que mostram que Kaddafi foi capturado e arrastado pelas ruas e teve o corpo agredido.

Há informações também de que Mutassim Kaddafi, filho do ex-presidente e ex-conselheiro de segurança nacional, morreu na ofensiva. Os relatos sobre a morte de Saif Al Islam, filho de Kaddafi apontado como seu sucessor, são conflitantes. O ministro da Justiça interino da Líbia, Mohammad Al Alagi, disse que Islam foi capturado e estava hospitalizado e não há mais informações.

ONU quer investigação

A situação levou a alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Navi Pillay, a defender uma investigação completa sobre a morte de Kaddafi. Pillay classificou como "perturbadoras" as imagens que mostram que o ditador  estava vivo quando foi capturado, segundo seu porta-voz,  Rupert Colville.

O Conselho Nacional de Transição da Líbia nega ter executado Khadafi. Segundo o órgão, ele morreu em decorrência de um tiro na cabeça, em meio aos embates entre seus simpatizantes e os opositores ao antigo regime.

Porém, o  médico Ibrahim Tika, que examinou o corpo, disse que ele morreu por causa de um tiro no abdome. “Kaddafi estava vivo, quando foi preso, e morreu depois. Uma bala perfurou seu intestino”, contou o médico. “Depois, ele recebeu um tiro na cabeça”, acrescentou.

As informações do  médico aumentam as controvérsias sobre as circunstâncias da morte do ex-presidente. O emissário do CNT na França, Mansour Saif Al Nasr, negou que Khadafi tenha sido vítima de linchamento.

Os relatos de integrantes do conselho são de que Khadafi estava a bordo de um jipe, em meio a um comboio que foi alvo de tiros dos opositores. O ex-presidente, segundo o CNT, tentou escapar entrando em um esgoto, tendo, em uma mão, uma metralhadora kalachnikov e na outra, uma pistola. Mas foi rendido e deixou de reagir.

Operação da Otan

Um dia após a morte de Muammar Kaddafi, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que a intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no país africano chegou ao fim. O mandatário francês pediu que o povo líbio adote o "perdão, a reconciliação e a unidade."

Também nesta sexta-feira 21, o ministro de Relações Exteriores da França, Alain Juppé, disse que o país vai apoiar as autoridades interinas da Líbia na transição para um governo democrático. "Nosso objetivo não era matar Gaddafi e sim forçá-lo a abandonar o poder", destacou.

Os países membros da Otan devem se reunir durante a tarde em Bruxelas, na Bélgica, para debater sobre o final das operações militares na região, iniciadas em 31 de março.

O CNT deve proclamar no domingo 23 a libertação total da Líbia na Praça do Tribunal de Benghazi, forte dos rebeldes rebatizado de Praça dos Mártires,  declarou um alto funcionário do conselho, à agência de notícias AFP. O conflito já dura oito meses e matou pelo menos 30 mil pessoas.

"Está confirmado. Anunciaremos a libertação às 17h00 (13h00 de Brasília)", disse a autoridade, que pediu para não ser identificada.

O CNT, reconhecido como representante legítimo do povo líbio pela ONU e outros 60 países, publicou em setembro uma "declaração constitucional". Pelo documento, um governo de transição deve ser adotado em até um mês após a proclamação da libertação.

O governo de transição deve organizar eleições gerais em oito meses e entregar os poderes a uma Assembleia eleita.

Com informações  da AFP, Agência Brasil, da BBC Brasil e da emissora pública de rádio da França

*Veja mais notícias da AFP.

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