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Entenda a Conferência pela Paz na Síria

por Deutsche Welle publicado 20/01/2014 10h29
Depois de ter sido adiado diversas vezes, encontro internacional sobre o conflito finalmente será realizado em Montreux. Reunião começa com esperança de acordo, apesar da série de obstáculos
STR / AFP
Siria

Explosão de carro bomba na fronteira entre Líbano e Síria, em 17 de janeiro

Qual é o objetivo da Conferência pela Paz na Síria?

A meta das negociações é uma solução política para a guerra civil na Síria. Para tal, a Rússia, os Estados Unidos e as Nações Unidas querem reunir numa mesma mesa de negociação representantes do governo sírio e da oposição. O ponto de partida das negociações é a Declaração Final da Primeira Conferência pela Paz na Síria, realizada em Genebra em junho de 2012. Nela ficara definida a formação de um governo interino. A renúncia do presidente Bashar al-Assad não é explicitamente exigida.

Quais são os representantes da Síria nas negociações?

Já está claro que Assad não vai viajar para a Suíça, mas enviará uma delegação – provavelmente seu ministro do Exterior, Valid Muallem, e o assim chamado "ministro da Reconciliação", Ali Haidar.

A Coalizão Nacional Síria, aliança de vários grupos oposicionistas, anunciou neste sábado (18/01) que irá participar da Conferência.

Os grupos de rebeldes islâmicos, cada vez mais fortes no país, não vão participar das negociações e se recusam a dialogar com o regime. Eles acusam as forças moderadas de, deste modo, estarem reconhecendo a ditadura de Assad. Quem for à Conferência será visto como traidor, afirmam. Também entre os diferentes grupos de oposição na Síria há hostilidades, alguns chegam a se combater mutuamente. A Coalizão Nacional Síria, por exemplo, distanciou-se dos muçulmanos.

E quanto à participação internacional?

Da Conferência vão participar quatro instituições internacionais – as Nações Unidas, a União Europeia, a Liga Árabe e a Organização dos Estados Islâmicos – e mais de 30 países de todas as regiões do mundo. É polêmica até agora uma possível participação do Irã. Como o país apoia seriamente o regime de Assad, sobretudo a oposição síria se opõe à presença de representantes de Teerã nas negociações.

Até agora o EUA também vinham mantendo uma certa resistência, mas durante uma viagem por diversos países árabes, o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, deu a entender que Washington não exclui terminantemente a presença iraniana na Conferência de Genebra. Pré-condição para isso, contudo, seria a concordância do Irã com a Declaração Final da Conferência de Genebra, assinada em 2012, que prevê a formação de um governo de transição na Síria.

O que quer o regime de Assad?

O presidente Assad se considera o líder legítimo da Síria, portanto a insurgência contra seu governo é totalmente ilegítima, para ele. Ele classifica os combatentes da oposição como meros "terroristas". Além disso, Assad quer se candidatar às próximas eleições presidenciais do país, em 2014. Consequentemente, continua inflexível a postura de seu governo antes da Conferência de Genebra.

"A delegação oficial da Síria não irá a Genebra para entregar o poder", declarou um representante do Ministério sírio do Exterior. A exigência do Ocidente e da oposição por uma renúncia de Assad "está fora de cogitação", acrescentou – embora neste domingo Assad tenha desmentido informação divulgada por uma agência russa de notícias de que ele teria dito a parlamentares russos que não deixará o poder. O governo em Damasco declara que não há possibilidade de selar acordos com "terroristas" – sob a ótica do governo, os rebeldes e todos os que os apoiam.

O que quer a oposição?

A oposição síria quer, sobretudo, a renúncia de Assad. Muita gente preferiria ver o governante morto. A maioria dos oposicionistas deseja um governo interino, sem Assad e seus assessores que participaram da repressão à rebelião. O governo de transição teria como tarefa preparar o caminho para eleições livres e reformas democráticas no país. Além disso, diz Sadiq al Mousllie, do Conselho Nacional Sírio, os serviços secretos e as Forças Armadas têm que ser reformados. De agora em diante, esses órgãos "deveriam servir ao povo e não ao regime".

Qual é a situação de partida?

O regime de Assad tem, no momento, dois trunfos na mão: primeiro, a oposição não é coesa, mas sim muito fragmentada, com grandes cismas entre as alas seculares e islâmicas. E mesmo dentro dessas alas falta consenso, não só do ponto de vista tático quanto ideológico.

Portanto em Genebra a oposição síria não vai formar uma frente unida, o que deve enfraquecer sua posição. Mas é sobretudo a presença maciça de militantes islâmicos que favorece o jogo de Assad. Ela lhe permite se apresentar como protetor do Estado, investindo decididamente contra os fundamentalistas. Essa é uma estratégia que parece estar dando certo: no momento, para certos governos ocidentais, o regime Assad parece o menor dos males, em comparação com os fundamentalistas muçulmanos.

Quais são as chances de se alcançar um acordo?

Nas semanas que antecedem a Conferência em Genebra, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, declarou com toda cautela que o encontro seria "a melhor oportunidade" para encerrar os conflitos sangrentos na Síria. Contudo, ninguém deve subestimar as dificuldades: "Temos consciência de que há muitos obstáculos no caminho de uma solução política", admitiu Kerry.

Enquanto isso, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, se esforça para mostrar otimismo: "As negociações vão ser difíceis, mas sem elas só haverá derramamento de sangue e desespero."

  • Autoria Kersten Knipp / Nils Naumann (sv)
  • Edição Augusto Valente

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