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No Egito

Invasão de embaixada isola ainda mais Israel

por Redação Carta Capital — publicado 10/09/2011 11h15, última modificação 12/09/2011 12h16
Representação israelense no Cairo é invadida e diplomatas são evacuados. Incidente mostra isolamento do país com o mundo árabe

Não durou uma semana o muro construído pelas autoridades do Egito ao redor da embaixada israelense no Cairo. Na noite de sexta-feira 9, centenas de egípcios derrubaram a barreira de 2,5 metros levantada para supostamente “proteger os residentes que dividem o edifício com a representeção diplomática”. O governo do país esperava isolar a embaixada do crescente sentimento anti-israelense demonstrado pela população desde a queda do ditador Hosni Mubarak. O sentimento de animosidade ficou ainda mais intenso com a ação militar na fronteira entre os dois países que resultou na morte de cinco guardas fronteiriços egípcios, após soldados israelenses perseguirem militantes palestinos que haviam promovido atentados em Israel, em agosto.

Diante do prédio que alberga a embaixada, os choques entre os manifestantes, a polícia e o exército deixaram centenas de feridos, três mortos e dezenas de detidos. Praticamente às portas da embaixada, que ocupa o último andar do edifício, um grupo de manifestante atirou documentos pelas janelas. Num primeiro momento especulou-se que eram registros oficiais da embaixada, informação desmentida pelas autoridades israelenses. Cerca de seis funcionários da representação tiveram de ser evacuados por forças especiais do exército egípcio. O embaixador Yitzak Lebanon e sua família já regressou a Israel.

O tumulto começou após a oração de sexta-feira na simbólica praça Tahrir, que ocorre semanalmente desde a caída de Mubarak para pressionar a junta militar que governa o país a acelerar as reformas democráticas. Depois das preces, a população revoltada seguiu para e embaixada, que já havia sido alvo de protestos desde que o muro foi erguido.

Os egípcios são críticos do estado de Israel devido aos abusos cometidos contra o povo palestino. Além do mais, esse descontentamento tomou contornos de extrema tensão após a ação militar israelense que resultou na morte dos guardas de fronteira do Egito. O antagonismo egípcio a Israel era contido pela ditadura de Hosni Mubarak, que assinou acordos de paz com o estado judeu em 1979. Além dos egípcios, apenas a Jordânia mantém acordo semelhante com Israel no mundo árabe.

Desse modo, a nova junta militar que rege o país encontra-se numa difícil encruzilhada. Ela já anunciou que manterá os compromissos de paz com os israelenses, o que desperta pouca simpatia entre o povo. Entretanto, mudar o tom das relações diplomáticas entre as duas nações significaria perder a ajuda militar garantida pelos Estados Unidos.

Resta saber até que ponto a junta militar conseguirá conter os ânimos da população, que logrou a queda de um ditador poucos meses atrás. Das orações na praça Tahrir, já surgem notícias de que um dos gritos dos manifestantes é “fora Hussein Tantawi”, autoridade máxima do país desde a queda de Mubarak e líder da junta dos militares. Há notícias também de que o primeiro-ministro Essam Sharaf chegou a colocar o cargo a disposição de Tantawi, que não aceitou a demissão.

Da parte dos israelenses, a situação geopolítica fica ainda mais delicada com o estremecimento das relações com um aliado-chave no mundo árabe. Há cerca de uma semana, o país já presenciou a redução ao mínimo das relações diplomáticas com a Turquia, que expulsou o embaixador israelense de Ancara em represália a brutalidade da operação militar contra a tentativa de militantes de direitos humanos de furar o bloqueio a Gaza.

Apesar do incidente considerado grave na embaixada no Cairo, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, preferiu adotar um tom moderado, talvez em reconhecimento do fato de que Israel não pode prescindir da estabilidade com o vizinho. Ele disse que o incidente não afeta os compromissos de paz entre os dois países.

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