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Dilma diz que bloqueio econômico a Cuba é injusto

por Agência Brasil publicado 27/01/2014 17h07, última modificação 28/01/2014 06h55
Na ilha para cúpula da Celac, presidenta inaugurou a primeira etapa do Porto de Mariel, que teve 682 milhões de dólares financiados pelo BNDES
Roberto Stuckert Filho/PR
DILMA CUBA

Presidenta Dilma Rousseff durante chegada a Havana, Cuba

Por Karine Melo

Em seu primeiro compromisso oficial em Cuba, nesta segunda-feira 27, a presidenta Dilma Rousseff classificou como injusto o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba desde os anos 60. “Mesmo sendo submetido ao injusto bloqueio econômico, Cuba gera um dos três maiores volumes de comércio do Caribe”, lembrou a brasileira durante discurso de inauguração da primeira etapa do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, capital do país.

O porto custou 957 milhões de dólares e, deste total, 682 milhões de dólares foram financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o Blog do Planalto, para liberar o financiamento, o banco exigiu como contrapartida que, pelo menos, 802 milhões de dólares fossem gastos no Brasil, na compra de bens e serviços nacionais. Os presidentes Evo Morales (Bolívia) e Nicolas Maduro (Venezuela), participaram da inauguração.

A área do porto equivale a 450 quilômetros quadrados e, durante sua construção, foram criados 150 mil empregos no Brasil, diretos e indiretos. Segundo Dilma Rousseff a expectativa é que com a entrada em operação do porto e da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel o desempenho de Cuba aumente substancialmente.

A presidenta adiantou que o BNDES vai financiar a segunda etapa de construção do porto com 290 milhões de dólares. "Várias empresas brasileiras manifestaram interesse em instalar-se na zona especial", garantiu.

Outro ponto destacado por Dilma foi o potencial de comércio entre os dois países. Segundo ela, há "grandes oportunidades de desenvolvimento" nos setores de equipamentos para a saúde, medicamentos e vacinas. "O Brasil quer se tornar um parceiro econômico de primeira ordem para Cuba. Acreditamos que uma maneira de estimular a aliança é aumentar o fluxo bilateral de comércio", disse a presidenta, que vai enviar um grupo de empresários brasileiros a Cuba.

Dilma aproveitou a cerimônia para agradecer o envio de profissionais para o Programa Mais Médicos. Desde o lançamento do programa, Cuba enviou 5,3 mil médicos para trabalhar nas periferias de grandes cidades e interior do Brasil. "A participação dos médicos cubanos é amplamente aprovada pelo povo brasileiro e é uma prova efetiva de solidariedade e cooperação que preside a relação entre os nossos países", reforçou.

Na terça-feira 28 a presidenta participa da abertura da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. O encontro marca a volta de Cuba aos organismos de integração regional. O país foi suspenso da Organização dos Estados Americanos em 1962, e agora ressurge como país anfitrião da cúpula, que vai reunir 33 chefes de Estado e de governo e tem como tema a redução da pobreza e o combate às desigualdades regionais.

*Publicado originalmente na Agência Brasil