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Denis Pushilin, o líder dos separatistas de Donetsk

por Deutsche Welle publicado 23/04/2014 03h12, última modificação 23/04/2014 08h59
Autoconfiante empresário de 32 anos saiu do anonimato para a liderança da "República de Donetsk"
Genya Savilov / AFP
República Popular de Donetsk

Ativista pró-Rússia pendura bandeira da "República Popular de Donetsk" enquanto milicianos tomam o prédio do governo regional de Slavyansk, no leste da Ucrânia, na segunda-feira 21

Mesmo vários dias após o acordo obtido em Genebra por representantes da Rússia, da União Europeia, dos Estados Unidos e do governo ucraniano, não há sinal de distensão no leste da Ucrânia. Os separatistas pró-russos não parecem dispostos a seguir o apelo do documento firmado na Suíça e, entre eles, um jovem chama particularmente a atenção: Denis Pushilin.

O líder da autoproclamada República de Donetsk exigiu a renúncia do governo em Kiev como um pré-requisito para que os milicianos deponham as armas e deixem os edifícios que ocupam no leste da Ucrânia. "Concordamos que os prédios devam ser desocupados. Mas primeiro [Arseniy] Yatsenyuk [primeiro-ministro interino da Ucrânia] e [Olexandr] Turtchinov [presidente interino] devem deixar os edifícios que ocupam ilegalmente desde o golpe", reivindicou.

"Nunca ouvi falar nele"

Jovem, autoconfiante e desconhecido: o empresário de 32 anos apareceu há apenas alguns dias como porta-voz e autoproclamado líder da República de Donetsk. Até há pouco completamente desconhecido por grande parte do público, hoje é citado pela imprensa do mundo inteiro.

Esta é a segunda tentativa dele de entrar na política. Em 2012, Pushilin se candidatou a deputado pelo partido "Nós temos um objetivo", na região de Kiev, mas não foi eleito. Seu programa eleitoral daquela época era amplo, mas não previa proteção especial para os russos ou para o idioma russo.

Fora isso, pouco se sabe sobre ele. Dizem que é um adepto do boxe e que gosta de viajar, além de ter concluído o ensino médio. Em sua conta no Facebook podem ser vistas muitas fotos, inclusive em trajes de banho, além de uma entrevista para a agência de notícias russa Ria Novosti. Ele não parece ter um grande número de seguidores nas redes sociais. Suas postagens recebem apenas alguns punhados de "curtidas".

Sua fama repentina pegou muitos separatistas despreparados. "Eu nunca tinha ouvido falar dele. É difícil dizer de onde vem", afirma um ativista do movimento pró-Rússia que deseja permanecer no anonimato, acrescentando que Pushilin foi apresentado como alguém confiável. O militante observa, entretanto, que não o considera tão importante porque o movimento não tem um líder claro.

"Uma marionete"

A avaliação é similar à do analista político ucraniano Volodimir Kipeny, diretor do Instituto de Estudos Sociais e Análises Políticas, com sede em Donetsk. "Essas pessoas são realmente pouco interessantes como indivíduos. A função delas é meramente disseminar determinadas informações", acredita.

Para ele, Pushilin é apenas uma "marionete" de pessoas que têm como objetivo central desestabilizar ainda mais a região. Kipeny crê que ele atue como uma espécie de "laranja" para essas pessoas, mais conhecidas e que não querem aparecer em público com declarações controversas.

Pois o trabalho de Pushilin envolve um certo risco. No início de março, outro autoproclamado "governador do povo" fez manchetes: Pavel Gubarev. Mas, depois de alguns dias, o ex-estudante de história de 31 anos foi preso pelo serviço secreto ucraniano, sob acusação de "assalto violento a instituições do Estado visando a tomada do poder e conspiração para prejudicar a integridade territorial da Ucrânia". Parece que ele ainda se encontra encarcerado em Kiev.

  • Autoria Stephanie Höppner (md)
  • Edição Alexandre Schossler

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