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Corporações pagam mais aos executivos que ao governo

por Redação Carta Capital — publicado 31/08/2011 15h46, última modificação 31/08/2011 18h45
Entre as 100 maiores companhias americanas, 25 pagam salários maiores aos seus CEOs do que gastam em impostos

Uma indústria para “evitar pagar impostos” foi montada nas maiores corporações norte-americanas. Em contrapartida, os salários dos executivos dessas empresas estão cada vez maiores. Assim como a dívida pública americana.

Uma pesquisa do Institute for Policy Studies (IPS) mostrou que das 100 maiores empresas dos Estados Unidos, 25 pagam mais aos seus CEOs do que em taxas ao governo federal. A informação é bombástica num período em que a administração de Obama empreende esforços para cortar gastos e  no qual o  país é ameaçado por uma nova depressão.

A Boeing, por exemplo, que dá ao seu mais alto executivo um salário de 13,8 milhões de dólares, paga 13 milhões de imposto de renda. Já em lobby, os gastos da empresa chegam a mais de 20 milhões de dólares. General Electric, eBay, Stanley Black & Decker, International Paper Company também se enquadram no perfil.

Ao ler a pesquisa, o democrata Elijah Cummings afirmou que esta seria uma das razões da crise e frisou que o salário do trabalhador não sofreu modificações e o desemprego continua inaceitavelmente alto.

A pesquisa indica ainda a estratégia que essas grandes empresas montaram para desviar das taxas. A maioria dessas 25 empresas reportaram altos lucros em 2010. “O baixo valor de impostos pagos dessas companhias refletem sonegação fiscal, pura e simples”, aponta o estudo.

Entre as técnicas, está a de justamente pagar muito aos seus executivos e deduzir esse valor do imposto de renda.  Além disso, das 25, 18 têm atividades em paraísos fiscais. Os custos para o governo dessa máquina de sonegação é de 100 bilhões de dólares anuais.

O esquema consiste em abrir filiais de fachada nos “paraísos” e cobrar altos valores de “propriedade intelectual” das sedes americanas. A empresa nos EUA desconta esse dinheiro do imposto de renda, enquanto a filial se livra do pagamento de taxas por estar submetida à isenção ou às baixas taxas dos locais onde estão sediados.

Por baixo dos panos, as maiores indústrias americanas desenvolveram um mercado paralelo de advogados e contadores para dar mais efetividade ao esquema. Tudo dentro das leis. Coincidentemente, o dinheiro gasto com lobby e contribuições em campanhas por essas empresas é de mais de 150 milhões de dólares no último ano.

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