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China fecha acordo para comprar US$ 45 bilhões em produtos dos EUA

por Opera Mundi — publicado 20/01/2011 09h41, última modificação 20/01/2011 09h41
O anúncio ocorreu durante a visita do presidente chinês, Hu Jintao, ao presidente norte-americano, Barack Obama, na Casa Branca. Por Thais Romanelli

Por Thais Romanelli*

Os Estados Unidos e a China firmaram nesta quarta-feira 19, um acordo de exportação no valor de 45 bilhões de dólares em produtos norte-americanos, incluindo um contrato de 19 bilhões de dólares para venda de 200 jatos da Boeing para o país asiático. O anúncio ocorreu durante a visita do presidente chinês, Hu Jintao, ao presidente norte-americano, Barack Obama, na Casa Branca.

De acordo com a Boeing,  a China comprará 185 aviões do modelo 737, em um pedido estimado em 15 bilhões de dólares a preço de lista, além de 15 Boeing 777, que custam cerca de quatro bilhões de dólares. Desta forma, o país se tornará o maior comprador da Boeing até 2030. Ainda de acordo com o fabricante, a entrega das aeronaves deverá ocorrer até 2013.

Além dos jatos, a China vai comprar produtos na área agrícola, de telecomunicações e tecnologia, firmando acordos com empresas como a Honeywell, Navistar e General Electric, com quem cinco contratos foram firmados. Segundo a Casa Branca, estima-se que com medidas como a joint venture com a estatal de energia China Huadian para desenvolver geradores de energia a gás 4,5 mil empregos nos EUA serão criados. O acordo, que deve criar receitas de 500 milhões de dólares ao longo dos próximos cinco anos, gerará um milhão de dólares em exportações.

A GE assinou ainda um acordo de intenções com o Ministério de Transportes da China em que está previsto o fornecimento de 350 milhões de dólares em equipamentos para as ferrovias do país.

Já com a Shenhua Group, o presidente chinês se comprometeu a comprar tecnologia da empresa para desenvolver a gaseificação de carvão na China. Com isso, estima-se que a GE tenha um lucro de 150 milhões de dólares em cinco anos.

Após a assinatura dos acordos, ambos os presidentes comemoraram as cooperações. Para Obama, a visita de Hu – primeira desde 2006 - estabelecerá as bases para os próximos 30 anos de cooperação bilateral. "Nós seremos mais prósperos e mais seguros se trabalharmos juntos", disse.

Já o presidente chinês, disse que o relacionamento entre os dois países deveria ter como base o "respeito mútuo", mas deu credibilidade aos "resultados frutíferos" que poderão ser colhidos. “Conquistamos um novo progresso”, completou.

Agora, com os acordos e os investimentos chineses nos EUA a expectativa é que o governo e as empresas norte-americanas aliviem a pressão que vem fazendo sobre a China em relação a sua política cambial, uma das principais divergências entre os dois países.

Guerra cambial

A visita de Hu Jintao ocorre em um momento tenso entre os EUA e a China. Desde o ano passado, os dois países vivem uma guerra cambial. Os EUA  acusam a China de manter sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada em relação ao dólar, o que prejudica as exportações norte-americanas.

Com isso, o déficit na balança comercial dos EUA com a China é grande, atingindo importações de 344,1 bilhões de dólares e exportações de 81,8 bilhões de dólares.

Diante deste cenário, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse antes do encontro entre os dois presidentes em entrevista à rede de TV ABC, que os EUA vão defender a todo custo seus próprios interesses econômicos.

Para ela, ainda não há como afirmar se os chineses são amigos ou inimigos. "A razão pela qual estamos estendendo o tapete vermelho e recebendo o presidente Hu Jintao em visita de Estado é que achamos que teremos uma resposta melhor para essa pergunta se seguirmos adiante", disse.

Direitos humanos

Após a reunião entre os presidentes, Hu e Obama concederam uma coletiva de imprensa na Casa Branca. Durante o evento, o norte-americano afirmou que seu colega deve enfrentar questões relacionadas com os direitos humanos na China.

"A história mostra que as sociedades são mais harmoniosas, as nações são mais bem-sucedidas e o mundo é mais justo quando os direitos e responsabilidades de todas as nações e de todas as pessoas são acolhidos. Inclusive os direitos universais de cada ser humano", disse Obama, que garantiu que os EUA continuarão defendendo a liberdade de expressão e de religião para o povo chinês.

“Na medida em que os EUA reconhecem o Tibete como parte integrante da República Popular da China, os EUA sugerem o diálogo entra a China e o Dalai Lama para resolver as divergências e preservar a identidade religiosa do povo tibetano”, acrescentou.

Hu, por sua vez, destacou que os EUA e a China devem respeitar as suas soberanias visando ampliar a discussão sobre os direitos humanos. Para o presidente chinês, realmente ainda há “muito por fazer” no país em termos de direitos humanos, baseando-se no princípio de “respeito mútuo e na não interferência” nos seus assuntos internos.

Durante a visita de Hu Jintao, ativistas reuniram-se do lado de fora da Casa Branca fazendo um apelo à Obama para que ele interviesse na prisão do o Prémio Nobel da Paz, Liu Xiaobo.

*Matéria publicada originalmente no Opera Mundi

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