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Terrorista

Battisti é preso em São Paulo e vai aguardar deportação

por Redação — publicado 12/03/2015 19h27
Italiano deve seguir para a França ou México, últimos países nos quais se escondeu antes de fugir para o Brasil
José Cruz/ (Arquivo) Agência Brasil
Cesare Battisti

Battisti fugiu para o Brasil, em 2004 e foi preso em 2007. A Itália pediu extradição, e o STF concordou, mas Lula decidiu por não extraditar o italiano

Cesare Battisti foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira 12 em Embu das Artes, Grande São Paulo, e vai esperar na cadeia a decisão sobre sua deportação. A ordem de expulsão do assassino, em situação irregular no País, foi expedida pela juíza Adverci Rates, da 20ª Vara de Brasília, a pedido do Ministério Público. Battisti não será enviado à Itália, onde foi condenado por quatro mortes. Deve seguir para a França ou México, últimos países nos quais se escondeu antes de fugir para o Brasil e escapar da extradição, por obra do Supremo Tribunal Federal e do governo Lula.

Battisti vivia com asilo no Brasil concedido por decisão do então presidente Lula no último dia do seu segundo mandato, em 2010. Na época, depois de autorizada a extradição, o STF deu a Lula a última palavra, por entender tratar-se de “questão de soberania nacional”. Que relação possa haver entre o destino de um terrorista pluriassasino com a soberania nacional é puro mistério.

O caso é, de todo modo, exemplar da ignorância nativa, a envolver desde o ministro da Justiça Tarso Genro até professores universitários, desde o crédulo senador Suplicy até uma pretensa esquerda brasileira de paradeiro duvidoso. Os palpiteiros daquele momento pretendiam enxergar em um ladrãozinho de arrabalde, na sua quarta prisão convertido ao terrorismo de esquerda, um herói da liberdade, comparando-o aos brasileiros que participaram da luta armada contra a ditadura.

Ignoravam a história recente: a subversão de direita e esquerda na Itália, condenada inclusive pelo Partido Comunista, movia-se contra um Estado Democrático de Direito. A principal vítima desse terrorismo foi Aldo Moro, o líder democrata-cristão que negociava com o comunista Enrico Berlinguer uma aliança definida como “compromisso histórico”. Autoras do assassínio, as Brigadas Vermelhas estavam infiltradas por agentes da CIA, como foi largamente provado. Grande demonstração de apego democrático foi dado então pela Itália, que combateu os terroristas sem recorrer a leis de emergência a emendar a Constituição. Tarso Genro sustentava a bem do asilo que, extraditado, Battisti sofreria risco de vida. E ainda: os processos que o condenaram, da primeira à última instância, eram eivados de irregularidades.

Não se recomendam comparações entre a Justiça e as prisões italianas e as brasileiras. Até hoje, o então presidente da República Giorgio Napolitano não esquece a afronta, que a deportação só em parte lavaria: caso efetivada, o pluriassassino não iria para a Itália, mas para a França, de onde fugiu rumo ao Brasil. Da decisão da juíza Rates cabe recurso.