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Assédio à informação

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 08/12/2010 12h00, última modificação 10/12/2010 15h35
Julian Assange tornou-se um preso político do Ocidente globalizado
Acidente da GOL no WikiLeaks

Telegramas a serem publicados hoje pelo WikiLeaks mostram que a embaixada americana contactou o Itamaraty, a polícia federal e o judiciário para tirar os pilotos americanos do País. Por Natalia Viana. Foto: AFP

Julian Assange tornou-se um preso político do Ocidente globalizado

Entre as muitas ironias que produziu, uma das mais saborosas do caso WikiLeaks é ter dado oportunidade ao jornal russo Pravda de zombar do sistema legal e da censura nos EUA.

Depois de comentar mensagens do WikiLeaks que mostram o governo Barack Obama pressionando Alemanha e Espanha para encobrir torturas praticadas pela CIA no governo anterior, o colunista e editor legal David Hoffman tripudia: “Agora, dado que o fundador do WikiLeaks,Julian Assange, enfrenta acusações criminais na Suécia, fica também evidente que os EUA têm o governo sueco e a Interpol no bolso. Claro que não sei se Assange cometeu o crime do qual é acusado. Sei é que para o ‘sistema’ legal dos EUA a verdade é irrelevante. No minuto em que Assange revelou a extensão dos crimes dos EUA e seu encobrimento para o mundo, tornou-se um homem marcado”.

Era 3 de dezembro. Na véspera, a Amazon expulsara o site de seus servidores, mas o cerco começara antes, com a ordem de captura internacional do governo sueco que colocou o australiano Assange na lista de “alerta vermelho”, os mais procurados da Interpol, a serem monitorados a cada passo. Com um pretexto inusitado para uma operação desse porte, se não surreal: o fundador do WikiLeaks teria continuado a fazer sexo com uma sueca depois da ruptura de seu preservativo e se recusado a usá-lo com outra. As acusadoras Sofia Wilen e Anna Ardin alardearam seus encontros com Assange por SMS e Twitter logo após o fato, falando deles em tom elogioso e festivo. A segunda, que de acordo com conhecidos seria de origem cubana, escreveu artigos para uma publicação anticastrista, o que sugere o dedo da CIA no caso. Também divulgou na internet, no início de 2010, o guia Sete Passos para uma Vingança Judicial sobre como incriminar alguém usando acusações de teor sexual.

No mesmo dia 3, o endereço wikileaks.org foi deletado pelo provedor estadunidense everydns.com. Foi transferido para um domínio registrado na  Suíça, wikileaks.ch, mas com parte dos arquivos hospedados no provedor francês OVH que, ameaçado com “consequências” pelo ministro francês da Indústria, Eric Besson, entrou na Justiça com uma consulta sobre a legalidade da ação.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 626, já nas bancas.

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