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Americanos vão às ruas contra decisão que livra outro policial branco

por Redação — publicado 04/12/2014 09h59
Uma semana depois de Darren Wilson ser liberado de processo por matar Michael Brown, NY decide não julgar policial que matou Eric Garner
Timothy A. Clary / AFP
A viúva de Eric Garner

A viúva de Eric Garner, Esaw (D), e a mãe da vítima, Gwen Carr (E), durante entrevista coletiva após o anúncio de que o policial acusado de matar Eric não será levado a julgamento

Milhares de pessoas foram às ruas nos Estados Unidos na noite de quarta-feira 3 para protestar contra o que consideram racismo na polícia e na justiça americana. Um tribunal de Nova York anunciou que não julgará o policial Daniel Pantaleo, que estrangulou e matou Eric Garner, um homem negro desarmado em julho, durante uma abordagem policial. Na última semana, um tribunal do Missouri tomou a mesma decisão no caso do policial Darren Wilson, acusado de matar Michael Brown, um jovem negro na cidade de Ferguson.

Após a decisão, o procurador-geral Eric Holder disse que o Departamento de Justiça dos EUA vai lançar uma investigação federal para apurar o caso. "Nossos promotores vão conduzir uma investigação independente, ampla, justa e rápida", disse Holder. "Além da nossa própria investigação, o departamento também vai revisar todo o material coletado durante a investigação local."

Eric Garner, de 43 anos e pai de seis filhos, morreu depois de receber uma chave de braço do policial. Ele foi preso por suspeita de vender cigarros ilegalmente. A prisão foi registrada em um vídeo amador e se espalhou rapidamente pela internet e pode ser visto abaixo [as imagens são fortes]. Garner sofria de asma e gritou para os policiais que não conseguia respirar.

Os gritos de Garner viraram palavras de ordem entre os manifestantes, que também cantaram "Sem justiça, não há paz". O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, fez um apelo à calma após a decisão: "Isto não é o que muitos em nossa cidade queriam, mas apesar de tudo, a cidade de Nova York tem uma tradição forte e orgulhosa de expressão por protestos não violentos. Confiamos em que os descontentes farão conhecer sua visão de modo pacífico e construtivo". De acordo com a polícia, 30 pessoas foram presas nos protestos só na cidade de Nova York.

De Blasio, que cancelou sua presença na tradicional cerimônia de iluminação da árvore de Natal do Rockefeller Center, anunciou que um grupo de 60 policiais testará, a partir deste final de semana, uma mini câmera em seus uniformes, em uma tentativa de dar mais transparência às ações da polícia. "As câmeras corporais farão com que as ruas sejam mais seguras e nossos policiais, mais eficazes", afirmou o prefeito ao apresentar o projeto em uma coletiva de imprensa no Queens.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, citou a crescente desconfiança de parte da comunidade em relação à polícia: "Estamos vendo excessivas situações nas quais as pessoas não têm confiança de que houve um procedimento justo (...). Isto é um problema americano".

No final da tarde, outra manifestação ocorreu na Grand Central Station, onde cerca de 50 pessoas deitaram no chão como se estivessem mortas. Os protestos em Nova York ocorrem após uma onda de manifestações, em todo o país, pela absolvição de outro policial branco, Darren Wilson, na semana passada, acusado de matar um jovem negro desarmado na cidade de Ferguson, no Missouri. A polícia de Nova York, a maior dos Estados Unidos, conta com 35 mil oficiais e é criticada frequentemente pelo uso abusivo de força, especialmente contra as minorias latina e negra.

Com informações da Deutsche Welle e da AFP