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Amatrice, uma cidade devastada

por Deutsche Welle publicado 25/08/2016 12h55, última modificação 25/08/2016 12h56
Equipes de resgate não perdem a esperança de encontrar sobreviventes no povoado italiano mais atingido pelo terremoto
Filippo Monteforte/AFP
Mortos

Mortos são ​​envoltos em lençóis de algodão e carregados por bombeiros pelas ruas devastadas

As equipes de resgate no povoado de Amatrice correm contra o tempo. "Há ainda chance, porque às vezes soterrados conseguem sobreviver dois ou três dias", diz um dos integrantes da equipe de resgate, que veio com seu cão de busca de Bolonha até a região do terremoto, que já deixou mais de 240 mortos. Os cães farejam se há pessoas ainda embaixo das casas destruídas pelo tremor, de magnitude 6,2, ocorrido na madrugada de terça para quarta 24.

Bombeiros escalam com cuidado os destroços. O líder da operação usa um apito e grita exigindo silêncio. Em seguida, toda a área fica quieta. Todas as máquinas são paralisadas. Nenhuma palavra pode ser falada. Jornalistas têm de interromper as suas transmissões.

Se mesmo assim alguém continua a falar, os moradores reclamam com xingamentos até que, finalmente, todos fiquem em silêncio. As equipes de busca esperam ouvir sinais ou pedidos de ajuda vindos de dentro dos entulhos. O líder do grupo de busca grita às vezes na direção dos escombros. "Se você está vivo, bata em alguma coisa, dê um sinal, grite, para que possamos te ouvir."

Desta vez não há sucesso, mas as equipes de resgate conseguem retirar algumas pessoas vivas dos escombros. Quando elas são encontradas, têm que suportar muitas vezes algumas horas, até a remoção de todas as vigas de madeira, tijolos e blocos de concreto – sem que o resto do edifício desabe, e as pessoas localizadas sejam ainda mais soterradas. De repente a terra treme.

Os restos da fachada de um mosteiro balançam ameaçadoramente, embora sejam apoiados por uma escavadeira. As equipes de busca saem o mais rapidamente possível da área dos escombros. Nas ruas do entorno, passantes, policiais, soldados e jornalistas correm em todas as direções. Mas não dá para fugir das réplicas, que levam apenas um par de segundos.

A terra treme em todos os lugares de Amatrice. A fachada do mosteiro permanece de pé. Durante os tremores principais, os andares da velha ruína desabaram como um castelo de cartas. Sete freiras devem estar sob os escombros.

Os ajudantes rompem com uma pequena retroescavadeira as paredes e janelas da sala ainda parcialmente intacta para tentar encontrar as mulheres. Os trabalhos ocorrem madrugada adentro, embora seja extremamente difícil e perigoso para os socorristas trabalhar no escuro.

Não há postes de luz acesos. Nenhuma das casas de Amatrice tem luz. O fornecimento de energia foi interrompido. Apenas o corpo de bombeiros tem geradores e carros de luz para a iluminação, que são usados nos lugares onde a busca ainda é possível, onde talvez haja sinais de sobreviventes.

Breve visita de Renzi

No antigo jardim do convento, uma sobrevivente de Amatrice observa o trabalho silencioso das equipes de resgate. Ela reza e, em seguida, leva as mãos à boca. Ela tem esperança, mas também diz: "Por que Deus faz isso­ com a gente?" O padre de Amatrice, que era conhecida por suas belas igrejas, também está atordoado. "Eu não consigo dizer nada." Ele pede só que sua comunidade encontre a força para continuar vivendo, de alguma forma.

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, promete ajuda, assistência aos sem-teto e à possível reconstrução. Ele chega de helicóptero e cumprimenta paramédicos e bombeiros com um tapa nos ombros. Ele agradece a eles por seus esforços e promete assistência financeira rápida para as localidades atingidas pelo terremoto. "Toda a Itália deve permanecer unida agora." Depois de alguns minutos, se vai.

Na vizinha L'Aquila pessoas estão há anos à espera da prometida ajuda estatal, após o devastador terremoto que a localidade enfrentou. "As pessoas lá ainda vivem em contêineres", diz um fotógrafo italiano que trabalha para revistas australianas. "Até que isso aqui fique de pé novamente, vão se passar anos, ou mesmo décadas."

Ajuda a Amatrice
A ajuda vai chegando vinda de toda a Itália (Foto: Marco Zeppetella/AFP)

Infraestrutura destruída

A estrada de acesso a Amatrice afundou com o terremoto. Em um ponto, o asfalto paira no ar sobre o precipício. Os trabalhadores das equipes de resgate têm que passar em fila indiana pelo lugar. Corajosos operadores de escavadeiras cruzam com seus veículos pesados através da passagem estreita. Ninguém sabe quanto tempo ela ainda suportará. O hospital de Amatrice também fica nessa estrada, e também foi fortemente danificado.

A Cruz Vermelha e os funcionários do hospital montaram um hospital de campanha ao ar livre no estacionamento do hospital. De tempos em tempos, as equipes de salvamento trazem um paciente. Mas isso ocorre raramente.

Muitas vezes, só mortos ainda são retirados dos escombros. Entre as vítimas estão relativamente muitas crianças, porque passavam férias em Amatrice, considerada um dos mais belos vilarejos da Itália.

Mortos são ​​envoltos em lençóis de algodão e carregados por bombeiros pelas ruas devastadas. Na frente, um homem corre e pede às pessoas que façam um corredor de emergência. Dezenas de cinegrafistas tentam filmar a cena.

Os moradores de Amatrice acompanham esse espetáculo lutando para se conter. Algumas meninas estão sentadas em frente dos escombros de sua casa. Elas parecem olhar no vazio, são cobertas com poeira. Muitas pessoas cavam com as próprias mãos, procurando desaparecidos.

A ajuda vai chegando vinda de toda a Itália. As estradas de acesso estão entupidas com caminhões, ambulâncias e veículos da polícia. O tráfego é caótico. Os membros das equipes de resgate também têm que ter onde se acomodar. Eles constroem seus acampamentos para poderem dormir e comer. Também foi construído um acampamento para os sem-teto.

No rádio, são feitos apelos para que aqueles que ainda têm um quarto vazio concedam abrigo para uma vítima do terremoto. Nas cidades vizinhas, pessoas doam sangue. Mesmo em Roma, há pontos de recolha para doações de mantimentos.

Por Bernd Riegert

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