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Internacional

Alvo eram quenianos infiéis, diz milícia ligada à Al Qaeda

por Redação — publicado 22/09/2013 07h44, última modificação 22/09/2013 11h44
Rebeldes islâmicos da Shebab citam intervenção do país na Somália. Ataque no shopping deixou 59 mortos e 150 feridos
Simon Maina/APF
Atentado Quênia

Policial retira pessoas após atentado em shopping de Nairóbi

*Texto atualizado às 11h40

 

Ao menos 59 pessoas morreram e 150 ficaram feridas, entre elas cidadãos estrangeiros, em um ataque no sábado 21 reivindicado pela milícia islâmica somali 'Shebab', ligada à Al-Qaeda, em um shopping center de Nairóbi.

Por volta do meio-dia (hora local), cerca de 10 homens da milícia invadiram armados e encapuzados o shopping Westgate Mall, um dos mais luxuosos da capital queniana, cuja clientela é formada principalmente por africanos abastados, indianos e ocidentais.

Os criminosos dispararam e lançaram granadas contra clientes e funcionários do shopping.

Em mensagem à nação, o presidente queniano, Uhuru Kenyatta, informou que as forças de segurança permanecem no shopping para "neutralizar" os agressores.

Segundo o Centro Nacional de Operações de emergência, os terroristas ainda mantinham lojistas e funcionários do shopping em seu poder, enquanto prossegue uma vasta operação do Exército e da polícia, na madrugada de domingo.

"As operações prosseguem", disse à AFP um oficial da segurança queniana, acrescentando que sete reféns foram libertados.

No domingo 22, forças especiais de segurança israelenses entraram neste domingo em um shopping de Nairóbi para tentar acabar com o cerco do grupo islamita. "Os israelenses acabam de entrar e estão socorrendo os reféns e os feridos", declarou uma fonte de segurança à AFP, que pediu o anonimato. Ela acrescentou que as forças especiais chegaram a Nairóbi pela manhã.

O centro comercial de luxo Westgate Mall foi parcialmente propriedade de israelenses.

Apoiados por membros dos serviços de segurança à paisana de embaixadas ocidentais, policiais e militares quenianos tentam identificar os agressores em um labirinto de lojas de todo tipo, onde é fácil se esconder. Mais de 24 horas após o início do ataque, os confrontos prosseguiam no domingo.

No inicio da manhã foi ouvido um intenso tiroteio procedente do interior do shopping, cercado pelas forças de segurança, que receberam importantes reforços e proibiram o acesso dos jornalistas.

"Até agora há 59 mortos", entre eles duas mulheres francesas e dois canadenses, segundo um último balanço fornecido pelo ministro do Interior, Joseph Ole Lenku.

O ministro também informou sobre 175 feridos, entre eles cidadãos americanos, britânicos e muitos ocidentais.

"Um certo número de agressores permanece no local, entre 10 e 15", disse Ole Lenky.

O poeta e político ganês Kofi Awoonor também está entre as vítimas fatais do ataque, anunciou no domingo o presidente de Gana, John Dramani Mahama, em um comunicado.

O Palácio do Eliseu informou que duas francesas morreram na ação 'terrorista' e manifestou a "total solidariedade" do presidente François Hollande com as autoridades quenianas.

"O presidente da República condena, com a maior firmeza, este covarde atentado e compartilha a dor da família dos nossos compatriotas", destaca o comunicado.

O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, revelou que dois canadenses, incluindo a diplomata Anne-Marie Desloges, foram mortos no ataque.

"O Canadá condena, da maneira mais firme possível, este gesto covarde e odioso", disse Harper, acrescentando que entre os mortos se encontra Anne-Marie Desloges, 29 anos, funcionária do serviço de imigração canadense no Quênia.

O Departamento de Estado americano informou que cidadãos dos Estados Unidos ficaram feridos no que chamou de um "ato de violência desmedido".

Washington "condenou este atentado desmedido no qual homens, mulheres e crianças inocentes foram mortos ou feridos", e destacou que "segue de perto" a evolução da situação em Nairóbi.

Em Londres, o ministro das Relações Exteriores, William Hague, disse que cidadãos britânicos estão, "sem qualquer dúvida", entre as vítimas do atentado.

Em mensagem no Twitter, a milícia 'Shebab' assumiu a autoria do ataque informando que "os mujahedines entraram ao meio-dia de hoje no Westgate (...). Eles mataram mais de 100 infiéis quenianos e a batalha prossegue".

Segundo os rebeldes, o ataque foi uma represália à intervenção das forças armadas do Quênia no sul da Somália contra o grupo islâmico, após o governo queniano "ignorar reiteradas advertências".

"Esta é a justiça punitiva pelos crimes de seus soldados" envolvidos no conflito somali. "Por terra, ar e mar, as forças quenianas invadiram nossa pátria muçulmana, matando centenas de muçulmanos e provocando a fuga de milhares".

"Em numerosas ocasiões o governo queniano foi alertado de que a presença de suas forças na Somália teria consequências dramáticas (...). A mensagem que enviamos ao governo e à população queniana é e será sempre a mesma: retirem todas as suas forças do nosso país".

O presidente Kenyatta reagiu afirmando que o Quênia "já superou ataques terroristas no passado e vencerá novamente", em mensagem em rede nacional de tevê.

Segundo Kenyatta, os agressores "querem implantar o medo e o desânimo em nosso país, mas não nos deixaremos intimidar. O terrorismo é a filosofia dos fracos".

O Exército do Quênia entrou na Somália em 2011, onde ocupa o sul do país, como parte da força africana multinacional que apoia o governo somali contra os rebeldes islâmicos.

A Casa Branca qualificou de "vil" o ataque e prometeu ajudar o Quênia em seus esforços contra o terrorismo.

"Os Estados Unidos condenam, nos termos mais enérgicos, este vil ataque terrorista contra civis inocentes hoje no Westgate Shopping Mall em Nairóbi (...). Os autores deste ato desumano devem ser levados à Justiça, e oferecemos nosso apoio total ao governo do Quênia para atingir este objetivo", disse a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Caitlin Hayden.

O secretário de Estado, John Kerry, afirmou que "o massacre terrorista de tantos inocentes é uma lembrança dolorosa de que o mal existe no nosso mundo e pode destruir vidas em um momento sem sentido".

O Conselho de Segurança da ONU "condenou, nos termos mais enérgicos", o atentando em Nairóbi, e "expressou sua solidariedade ao povo e ao governo do Quênia nestas horas difíceis".

Após a invasão, unidades de elite do exército queniano foram mobilizadas para reforçar as forças policiais no local e ajudar na retirada dos clientes e dos funcionários do shopping.

As forças de segurança avançaram loja por loja para retirar as pessoas escondidas e buscar os homens armados, mascarados e vestidos de preto, que tinham reféns em seu poder.

Muito movimentado nos fins de semana, o Westgate Mall era citado regularmente como possível alvo de grupos relacionados à Al-Qaeda, como os insurgentes 'Shebab'.

Este tipo de ataque é algo que jamais havia ocorrido na capital queniana e pode ser o atentado mais sangrento desde a ação suicida da Al-Qaeda de 1998, que teve como alvo em agosto daquele ano a embaixada americana em Nairóbi, resultando em mais de 200 mortos.

Uma jornalista da AFP-TV viu corpos em frente ao shopping e em seu interior. Feridos e ensanguentados, pais com seus filhos nos braços, assustados e nervosos, saíam em desespero do edifício de quatro andares.

O Westgate Mall é um labirinto de lojas de todo o tipo, onde é muito fácil se esconder.

Este centro comercial, aberto em 2007 e próximo à sede local das Nações Unidas, tem restaurantes, cafés, bancos, um grande supermercado e várias salas de cinema que atraem milhares de pessoas todos os dias.

 

Com informações da AFP Mobile.