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Internacional

Morte de Bin Laden

Al Qaeda não terá dificuldade para repor o líder abatido

por Viviane Vaz, em Jerusalém — publicado 02/05/2011 14h42, última modificação 02/05/2011 17h32
Para especialista em Oriente Médio, a rede terrorista sofre menos com a morte de Bin Laden do que com as revoluções árabes, a clamar por democracia e não por jihad. Por Viviane Vaz

"A justiça foi feita", anunciou nesta madrugada em rede de TV o presidente americano Barack Obama. "Os Estados Unidos lideraram uma operação que levou à morte do líder da rede terrorista Al Qaeda", afirmou. De acordo com Obama, a morte de Osama bin Laden, líder da rede terrorista e principal responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001, foi uma conquista da ação do exército americano em conjunto com o governo do Paquistão. Bin Laden foi morto em 1º de maio por soldados americanos, que o encontraram em uma casa de dois andares em Abottabad, localidade próxima à capital paquistanesa, Islamabad.

Para o professor especialista em Política do Oriente Médio da London School of Economics (LSE), Fawaz Gerges, o anúncio da morte de Bin Laden hoje tem mais significado para Obama do que para a rede terrorista Al Qaeda, uma vez que representa o cumprimento de uma das principais promessas de campanha do presidente americano. Quando assumiu a presidência dos EUA em 2008, Obama determinou à CIA que desse prioridade à missão de capturar ou eliminar Bin Laden. A promessa cumprida é hoje celebrada por milhões de americanos que cercaram a Casa Branca em Washington e que lotaram o "Marco Zero" em Nova Iorque, antigo local das Torres Gêmeas.

Ao mesmo tempo, Gerges avalia que a morte de Bin Laden não representa uma "baixa grave" para a organização terrorista, que continuará sob o comando do número 2, o médico egípcio Ayman Al Zawahri – qualificado por muitos analistas como o "mentor de Bin Laden". "Eu iria além da destruição da Al Qaeda como uma organização operativa. A ideologia em si mesma da jihad global, de uma jihad transnacional contra o Ocidente como inimigo, tornou-se uma força cambaleante", disse Gerges em entrevista à rede britânica BBC.

De acordo com Gerges, os movimentos que derrubaram ditadores em países árabes é um reflexo da mudança de pensamento na região. "O que aconteceu no Oriente Médio nos últimos seis meses também afetou negativamente a ideologia da Al Qaeda. Eles (os países árabes) não estão clamando por jihad local ou global, mas por constituição, governo eleito, por eleições, por separação de poderes. Isso revela o vão que existe hoje entre ideologia da global jihad de Bin Laden e as aspirações universais de um número crescente de árabes e muçulmanos", analisa o professor.

No discurso em rede nacional, Obama também enviou uma mensagem ao mundo muçulmano. "Quero deixar claro, como o fez o presidente George W. Bush, que a Guerra ao Terror não é contra o Islã. A Al-Qaeda é um destruidor em massa de muçulmanos", frisou o presidente americano.

Israel
Depois de uma triste noite de domingo em que se deu início aos atos de recordação do assassinato de seis milhões de judeus pelos nazistas e da realização de dois minutos de silêncio em homenagem às vítimas do Holocausto nesta manhã de segunda-feira, o governo israelense também emitiu declarações sobre a conquista do governo Obama. "O Estado de Israel se une à alegria do povo americano depois da eliminação de Bin Laden", destacou um comunicado do gabinete de Netanyahu.

"Esta bem-sucedida operação envia uma mensagem importante de que o terror e a maldade não encontrarão abrigo permanente e finalmente serão destruídos, assim como os nazistas caíram", afirmou hoje o vice-chanceler israelense, Danny Ayalon.

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